Por: Jânio Santos de Oliveira
Pastor e professor da Igreja evangélica Assembléia de Deus em Santa Cruz da Serra
Pastor Presidente: Eliseu Cadena
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Nesta oportunidade estaremos abrindo a Palavra de Deus que se encontra no Livro do Êxodo 25.1-40 Que nos diz:
1 Então falou o SENHOR a Moisés, dizendo:
2 Fala aos filhos de Israel, que me tragam uma oferta alçada; de todo o homem cujo coração se mover voluntariamente, dele tomareis a minha oferta alçada.
3 E esta é a oferta alçada que recebereis deles: ouro, e prata, e cobre,
4 E azul, e púrpura, e carmesim, e linho fino, e pêlos de cabras,
5 E peles de carneiros tintas de vermelho, e peles de texugos, e madeira de acácia,
6 Azeite para a luz, especiarias para o óleo da unção, e especiarias para o incenso,
7 Pedras de ônix, e pedras de engaste para o éfode e para o peitoral.
8 E me farão um santuário, e habitarei no meio deles.
9 Conforme a tudo o que eu te mostrar para modelo do tabernáculo, e para modelo de todos os seus pertences, assim mesmo o fareis.
10 Também farão uma arca de madeira de acácia; o seu comprimento será de dois côvados e meio, e a sua largura de um côvado e meio, e de um côvado e meio a sua altura.
11 E cobri-la-á de ouro puro; por dentro e por fora a cobrirás; e farás sobre ela uma coroa de ouro ao redor;
12 E fundirás para ela quatro argolas de ouro, e as porás nos quatro cantos dela, duas argolas num lado dela, e duas argolas noutro lado.
13 E farás varas de madeira de acácia, e as cobrirás com ouro.
14 E colocarás as varas nas argolas, aos lados da arca, para se levar com elas a arca.
15 As varas estarão nas argolas da arca, não se tirarão dela.
16 Depois porás na arca o testemunho, que eu te darei.
17 Também farás um propiciatório de ouro puro; o seu comprimento será de dois côvados e meio, e a sua largura de um côvado e meio.
18 Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório.
19 Farás um querubim na extremidade de uma parte, e o outro querubim na extremidade da outra parte; de uma só peça com o propiciatório, fareis os querubins nas duas extremidades dele.
20 Os querubins estenderão as suas asas por cima, cobrindo com elas o propiciatório; as faces deles uma defronte da outra; as faces dos querubins estarão voltadas para o propiciatório.
21 E porás o propiciatório em cima da arca, depois que houveres posto na arca o testemunho que eu te darei.
22 E ali virei a ti, e falarei contigo de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins (que estão sobre a arca do testemunho), tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel.
23 Também farás uma mesa de madeira de acácia; o seu comprimento será de dois côvados, e a sua largura de um côvado, e a sua altura de um côvado e meio.
24 E cobri-la-ás com ouro puro; também lhe farás uma coroa de ouro ao redor.
25 Também lhe farás uma moldura ao redor, da largura de quatro dedos, e lhe farás uma coroa de ouro ao redor da moldura.
26 Também lhe farás quatro argolas de ouro; e porás as argolas aos quatro cantos, que estão nos seus quatro pés.
27 Defronte da moldura estarão as argolas, como lugares para os varais, para se levar a mesa.
28 Farás, pois, estes varais de madeira de acácia, e cobri-los-ás com ouro; e levar-se-á com eles a mesa.
29 Também farás os seus pratos, e as suas colheres, e as suas cobertas, e as suas tigelas com que se hão de oferecer libações; de ouro puro os farás.
30 E sobre a mesa porás o pão da proposição perante a minha face perpetuamente.
31 Também farás um candelabro de ouro puro; de ouro batido se fará este candelabro; o seu pé, as suas hastes, os seus copos, os seus botões, e as suas flores serão do mesmo.
32 E dos seus lados sairão seis hastes; três hastes do candelabro de um lado dele, e três hastes do outro lado dele.
33 Numa haste haverá três copos a modo de amêndoas, um botão e uma flor; e três copos a modo de amêndoas na outra haste, um botão e uma flor; assim serão as seis hastes que saem do candelabro.
34 Mas no candelabro mesmo haverá quatro copos a modo de amêndoas, com seus botões e com suas flores;
35 E um botão debaixo de duas hastes que saem dele; e ainda um botão debaixo de duas outras hastes que saem dele; e ainda um botão debaixo de duas outras hastes que saem dele; assim se fará com as seis hastes que saem do candelabro.
36 Os seus botões e as suas hastes serão do mesmo; tudo será de uma só peça, obra batida de ouro puro.
37 Também lhe farás sete lâmpadas, as quais se acenderão para iluminar defronte dele.
38 Os seus espevitadores e os seus apagadores serão de ouro puro.
39 De um talento de ouro puro os farás, com todos estes vasos.
40 Atenta, pois, que o faças conforme ao seu modelo, que te foi mostrado no monte.
Conforme Hebreus 8:5, fala-nos de figuras e das sombras das coisas celestiais.
Foi dito por Deus a Moisés (Ex 25:8) que construísse um santuário, sendo-lhe revelado inclusive seu modelo no monte Sinai (Ex. 24:18). Era um Templo portátil e montavam-no todas as vezes que os hebreus faziam acampamento.
Tudo foi feito como o Senhor Deus ordenara a Moisés (Ex. 39 e 40). Seus construtores, Bezaleel e Aoleabe o fizeram em detalhes, minuciosamente - Ex. 31:1-6.
O Tabernáculo seria algo que homem algum jamais teria imaginado. Foi construído para que as verdades fundamentais no Novo Testamento fossem compreendidas. Cada detalhe e objeto falava da obra redentora de Jesus Cristo. Glória a Deus !
Significado total do Tabernáculo

O Tabernáculo assim construído tem uma semelhança com o nosso ser e com a nossa vida. O Átrio Exterior representa nossos relacionamentos sociais em que muitas pessoas nos vêem, nos cumprimentam, mas conhecem pouco de nós. O Lugar Santo é a nossa alma, da qual participam pessoas mais próximas como a família e os amigos que nos conhecem melhor e sabem do que se passa no nosso coração. No Santo dos Santos, que corresponde ao nosso espírito, onde estão os mais íntimos dos nossos desejos e nosso verdadeiro eu, aí só o Espírito de Deus tem acesso.
TABERNÁCULO significa: morada, habitação ou casa.
Quando Jesus veio, Ele cumpriu o papel do verdadeiro sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (Hb 5: 5-6), deu o exemplo de como ser o Tabernáculo de Deus na terra, nos ensinou a importância da separação das coisas mundanas para podermos permanecer cobertos pelo Seu sangue e debaixo da Sua bênção e da Sua aprovação sempre. Também nos ensinou a fazermos o nosso sacrifício, ou seja, carregar a nossa cruz, vencer os nossos desafios e poder ser o exemplo para aqueles que ainda não O conhecem possam entrar no Seu reino. Eles precisam entender que é através do arrependimento sincero e se submetendo ao Seu julgamento que eles conhecerão a Sua justiça e o significado do verdadeiro sacerdócio, que Ele já determinou para todos os Seus filhos, lhes dando o direito de se achegar a Ele sempre que precisarem, sem nenhum impedimento. Em Hb 4: 14-16 está escrito: “Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna”.
Tempo de construção do Tabernáculo
Os israelitas levaram um ano para construir o Tabernáculo, de acordo com o projeto que foi dado a Moisés no topo do Sinai. Este foi o tempo que eles permaneceram acampados ao pé da Montanha Sagrada. Em Êx 19: 1-2 a bíblia diz: “No terceiro mês da saída dos filhos de Israel da terra do Egito, no primeiro dia desse mês, vieram ao deserto do Sinai. Tendo partido de Refidim, vieram ao deserto do Sinai, no qual se acamparam; ali, pois, se acampou Israel em frente do monte”.
Eles gastaram três meses de caminhada do Egito até o Sinai.
• Êx 40: 2; 17; 34-35: “No primeiro dia do primeiro mês, levantarás o tabernáculo da tenda da congregação... No primeiro mês do segundo ano, no primeiro dia do mês, se levantou o tabernáculo... Então, a nuvem cobriu a tenda da congregação, e a glória do Senhor encheu o tabernáculo. Moisés não podia entrar na tenda da congregação, porque a nuvem permanecia sobre ela, e a glória do Senhor enchia o tabernáculo”.
• Nm 9: 1-5: “Falou o Senhor a Moisés no deserto do Sinai, no ano segundo da sua saída da terra do Egito, no mês primeiro, dizendo: Celebrem os filhos de Israel a Páscoa a seu tempo. No dia catorze deste mês, ao crepúsculo da tarde, a seu tempo a celebrareis; segundo todos os seus estatutos e segundo todos os seus ritos, a celebrareis. Disse, pois, Moisés aos filhos de Israel que celebrassem a Páscoa. Então, celebraram a Páscoa no dia catorze do mês primeiro, ao crepúsculo da tarde, no deserto do Sinai; segundo tudo o que o Senhor ordenara a Moisés, assim fizeram os filhos de Israel”.
No primeiro mês do segundo ano, no primeiro dia do mês, se levantou o Tabernáculo. E no dia 14 deste mesmo mês, eles comemoraram a Páscoa, a segunda em suas vidas, pois a primeira havia sido comemorada no Egito, antes que eles saíssem de lá.
• Nm 1: 1-2: “No segundo ano após a saída dos filhos de Israel do Egito, no primeiro dia do segundo mês, falou o Senhor a Moisés, no deserto do Sinai, na tenda da congregação, dizendo: Levantai o censo de toda a congregação dos filhos de Israel, segundo as suas famílias, segundo a casa de seus pais, contando todos os homens, nominalmente cabeça por cabeça”.
• Nm 2: 1-2: “Disse o Senhor a Moisés e a Arão: Os filhos de Israel se acamparão junto ao seu estandarte, segundo as insígnias da casa de seus pais; ao redor, de frente para tenda da congregação, se acamparão”.
No segundo ano após a saída dos filhos de Israel do Egito, no primeiro dia do segundo mês, com o Tabernáculo já construído, foi levantado o censo de toda a congregação dos filhos de Israel. Deus mostrou como gostaria que Seus filhos se acampassem ao redor da Tenda.
Em outras palavras:
No 1º mês foi erguido o tabernáculo e no 2º mês foi feito o censo. Depois o Senhor lhes mostrou como deveriam se acampar dali para frente. Por isso, a tenda inicial onde Deus falava com Moisés foi armada fora do arraial, para que longe do povo, ele pudesse conversar em santidade com o Senhor. É o mesmo que dizer: para que longe do pecado, ele pudesse entrar em santidade na presença de Deus. Quem quisesse buscar o Senhor, precisava sair do arraial e ir até a tenda, que passou a ser chamada de tenda da congregação:
• Êx 33: 7-11: “Ora, Moisés costumava tomar a tenda e armá-la para si, fora, bem longe do arraial; e lhe chamava a tenda da congregação. Todo aquele que buscava ao Senhor saía à tenda da congregação, que estava fora do arraial. Quando Moisés saía para a tenda, fora, todo o povo se erguia, cada um em pé à porta da sua tenda, e olhavam pelas costas, até entrar ele na tenda. Uma vez dentro Moisés da tenda, descia a coluna de nuvem e punha-se à porta da tenda; e o Senhor falava com Moisés. Todo o povo via a coluna de nuvem que se detinha à porta da tenda; todo o povo se levantava, e cada um, à porta da sua tenda, adorava ao Senhor. Falava o Senhor a Moisés face a face, como qualquer fala a seu amigo; então, voltava Moisés para o arraial, porém o moço Josué, seu servidor, filho de Num, não se apartava da tenda”.
Agora:
• Nm 10: 11-13: “Aconteceu, no segundo ano, no segundo mês, aos vinte do mês, que a nuvem se ergueu de sobre o tabernáculo da congregação. Os filhos de Israel puseram-se em marcha do deserto do Sinai, jornada após jornada; e a nuvem repousou no deserto de Parã. Assim, pela primeira vez, se puseram em marcha, segundo o mandado do Senhor, por Moisés”.
• Nm 10: 33-36: “Partiram, pois, do monte do Senhor caminho de três dias; a arca da Aliança do Senhor ia adiante deles caminho de três dias, para lhes deparar lugar de descanso. A nuvem do Senhor pairava sobre eles de dia, quando partiam do arraial. Partindo a arca, Moisés dizia: Levanta-te, Senhor, e dissipados sejam os teus inimigos, e fujam de diante de ti os que te odeiam. E, quando pousava, dizia: Volta, ó Senhor, para os milhares e milhares de Israel”.
• Nm 9: 15-23: “No dia em que foi erigido o tabernáculo, a nuvem o cobriu, a saber, a tenda do testemunho; e, à tarde, estava sobre o tabernáculo uma aparência de fogo até à manhã. Assim era de contínuo: a nuvem o cobria, e, de, noite havia aparência de fogo. Quando a nuvem se erguia de sobre a tenda, os filhos de Israel se punham em marcha; e, no lugar onde a nuvem parava, aí os filhos de Israel se acampavam. Segundo o mandado do Senhor, os filhos de Israel partiam e, segundo o mandado do Senhor, se acampavam; por todo o tempo em que a nuvem pairava sobre o tabernáculo, permaneciam acampados. Quando a nuvem se detinha muitos dias sobre o tabernáculo, então, os filhos de Israel cumpriam a ordem do Senhor e não partiam. Às vezes, a nuvem ficava poucos dias sobre o tabernáculo; então, segundo o mandado do Senhor, permaneciam e, segundo a ordem do Senhor, partiam. Às vezes, a nuvem ficava desde a tarde até à manhã; quando, pela manhã, a nuvem se erguia, punham-se em marcha; quer de dia, quer de noite, erguendo-se a nuvem, partiam. Se a nuvem se detinha sobre o tabernáculo por dois dias, ou um mês, ou por mais tempo, enquanto pairava sobre ele, os filhos de Israel permaneciam acampados e não se punham em marcha; mas, erguendo-se ela, partiam. Segundo o mandado do Senhor, se acampavam e, segundo o mandado do Senhor, se punham em marcha; cumpriam o seu dever para com o Senhor, segundo a ordem do Senhor por intermédio de Moisés”.
• Êx 40: 36-38:“Quando a nuvem se levantava de sobre o tabernáculo, os filhos de Israel caminhavam avante, em todas as suas jornadas; se a nuvem, porém, não se levantava, não caminhavam, até ao dia em que ela se levantava. De dia, a nuvem do Senhor repousava sobre o tabernáculo, e, de noite, havia fogo nela, à vista de toda a casa de Israel, em todas as suas jornadas”.
No segundo ano, no segundo mês, aos vinte do mês, após terem levantado o censo, a nuvem se ergueu de sobre o Tabernáculo pela primeira vez, e os filhos de Israel iniciaram a sua peregrinação pelo deserto, por quarenta anos; mais precisamente, trinta e oito anos e nove meses, após o castigo determinado por Deus para os rebeldes, pois caminharam três meses do Egito até o Sinai e ficaram um ano acampados ao pé desse monte.
• A medida de comprimento usada na época era o côvado, que corresponde à distância do cotovelo à ponta do dedo médio da mão de um homem, variando entre 44,4 a 45 cm, ou ainda, 51,8 cm (em Ezequiel 43: 13, pois soma um côvado mais quatro dedos), também chamado côvado sacro, côvado primitivo ou côvado mosaico. Neste texto sobre o Tabernáculo, usarei a medida de 50 cm para facilitar o entendimento. Um versículo que corrobora esta hipótese é 2 Cr 3: 3, que diz que o côvado primitivo foi usado por Salomão na construção do templo, portanto, antes de Ezequiel ter nascido e, conseqüentemente, uma medida que já era conhecida dos israelitas, provavelmente da época da construção do Tabernáculo de Moisés.
O Tabernáculo
Em Êx 25: 8-9, o Senhor dá ordens a Moisés para construí-lo. O Tabernáculo (em Hebraico, mishkan, que significa ‘moradia’) ou ‘tenda da congregação’ era a tenda usada pelos israelitas como lugar de adoração enquanto viajavam pelo deserto. Na verdade, a tenda onde Moisés se encontrava inicialmente com o Senhor (‘a tenda da congregação’) foi armada fora do arraial (Êx 33: 7), pois o povo tinha pecado e o Senhor lhe disse que Ele não mais seguiria no meio deles. Então, Moisés armou a tenda fora do acampamento, e ali Deus falava com ele. Todo aquele que buscava ao Senhor saía à tenda da congregação, que estava fora do arraial (Êx 33: 7). Em Êx 29: 42-46, o Senhor disse a Moisés que seria no Tabernáculo (ou tenda da congregação) que Ele desceria para falar com ele e com Seu povo. O Tabernáculo era também chamado de ‘santuário’ (Êx 25: 8) e ‘tenda do Testemunho’ porque nele estava guardado o Testemunho (as tábuas da Lei): Êx 38: 21; Nm 1: 50; Nm 9: 15; Nm 17: 8. Mais tarde, o Tabernáculo passou a ser conhecido como ‘A Casa do Senhor’ (Dt 23: 18; Js 6: 24). Deus ordenou a Moisés que construísse o Tabernáculo para que o povo tivesse um lugar de referência para a adoração e passassem a sentir Sua segurança junto com eles por onde andassem (Êx 25: 8). A Tenda da Congregação era montada, carregada e cuidada pelos Levitas. No lugar mais interior ficava o recinto conhecido como o Santo dos Santos onde era colocada a arca e onde apenas o sumo sacerdote poderia entrar. Suas dimensões (o santuário propriamente dito, a tenda onde estava a arca da Aliança) eram basicamente cinco metros de largura, quinze de comprimento e cinco de altura (Ex 26: 15-30).
Quando a nuvem de Deus se moveu do cume do Monte Sinai para o tabernáculo recém construído, cobrindo a casa de Deus e enchendo-a com Sua glória (Êx 40.34), atingiu-se um ápice no relacionamento de Deus com a humanidade. Nesta cena majestosa, o livro do Êxodo termina com uma resolução, ainda que temporária e intermediária, da história do exílio da humanidade do Éden narrada em Gênesis 3. Além disso, o tabernáculo cheio de glória também prefigurava a solução definitiva por parte de Deus, àquela expulsão, solução que viria pela pessoa e obra de Jesus Cristo.
Ao considerarmos o significado do tabernáculo (e depois do templo) nas Escrituras, será útil manter dois pontos em mente. Primeiro, o tabernáculo era a casa de Deus, o lugar de sua morada. Cortinas azuis, púrpura e com fios carmesim, uso abundante de ouro puro e um véu dividindo suas duas salas definiam o tabernáculo como o palácio do mais sagrado rei.
Segundo, o tabernáculo era também o caminho para Deus, os rituais de sacrifício proporcionavam a expiação e a purificação necessárias para habitar com Deus. Uma visão geral simplificada do sistema sacrificial apresenta o caminho para Deus como envolvendo um movimento triplo na presença de Deus, uma “jornada” traçada através da ordem ritual de três sacrifícios primários. A adoração frequentemente começava com a oferta de purificação, com sua ênfase no sangue, ressaltando a necessidade de expiação pela humanidade, isto é, ser perdoado e purificado por Deus. Então seguia-se todo o holocausto que, com sua ênfase em queimar o animal inteiro à parte de sua pele, simbolizava uma vida de total consagração a Deus. A liturgia terminaria com uma oferta de paz na qual o adorador banqueteava-se com uma refeição sagrada, juntamente com a família e amigos, na presença de Deus. A expiação, então, como a jornada do sacrifício ensina, leva à santificação, e a santificação produz comunhão jubilosa com Deus.
Em suma, o relacionamento de Israel com Deus foi preservado e cultivado pelo ritual sacrifical do tabernáculo, possibilitando que o Criador do céu e da terra habitasse com seu povo em comunhão. Para entender a profundidade e a maravilha de tal propósito, refletiremos sobre o significado do tabernáculo primeiro dentro do propósito de Deus para a criação e depois representando o coração da aliança de Deus com o Seu povo – um propósito assumido e cumprido por Jesus Cristo.
A Criação e o Tabernáculo
Provavelmente a ideia principal a respeito do papel e propósito do tabernáculo comece com a compreensão de que, originalmente, o próprio cosmos foi criado para ser a casa de Deus e onde a humanidade desfrutaria de comunhão com ele. Somente quando aquela casa foi contaminada pelo pecado e pela morte é que uma casa secundária e provisória, o tabernáculo, se tornou necessária. Seria portanto, esperada uma medida de correspondência entre o tabernáculo e a criação, e é precisamente esse o caso.
O relato da criação de Gênesis 1.1-2.3 retrata Deus como um construtor que faz uma casa de três andares (céu, terra e mares) em seis dias e, depois de concluída, passa a residir nela desfrutando do descanso do sábado. De fato, em toda a Escritura, o cosmos é frequentemente retratado como a casa de Deus, seu santuário ou templo. O salmista diz, por exemplo, que Deus estende os céus como uma cortina e põe nas águas o vigamento de sua morada (Sl 104. 2-3; cf. Is 40. 22). Os intérpretes antigos e contemporâneos também notaram paralelos significativos entre os relatos da criação e os do tabernáculo no Pentateuco, incluindo a linguagem de bênção e santificação usada para descrever sua conclusão.
Também, enquanto a criação é relatada em sete parágrafos (por sete dias), culminando no sábado, há, similarmente, sete discursos divinos contando as instruções para o tabernáculo, (capítulos 25 a 31 de Êxodo), o sétimo discurso culminando com a legislação do sábado refere-se diretamente ao sábado de Deus em Gênesis 2. 1-3 (ver Êxodo 31.12-8). O “Espírito de Deus” permite a construção tanto da casa de Deus como o cosmos (Gn 1. 2) como da casa de Deus como tabernáculo (Êx 31. 1-5).
Além disso, embora se percam nas traduções, o relato da criação usa a terminologia do tabernáculo, particularmente no relato do quarto dia descrito em Gênesis 1: 14-19. A palavra hebraica para “luzes”, referindo-se ao sol e à lua, planetas e estrelas, é a mesma palavra para as “lâmpadas” que em outras partes do Pentateuco sempre se referem às lâmpadas do candelabro do tabernáculo. Da mesma forma, a palavra hebraica usada para “estações”, para as quais as luzes ou lâmpadas funcionam como marcadores, é um termo que no Pentateuco se torna sinônimo de festas de Israel ou festivais de culto.
Essas características, juntamente com o dia de sábado que conclui o relato, servem para retratar o cosmos como um grande templo no qual a humanidade tem o privilégio sacerdotal de se aproximar de Deus em adoração e comunhão – juntamente com toda a criação, incluindo o sol, a lua e as estrelas – servindo como uma convocação para a adoração. O cosmos como a casa de três andares, formados pelo céu terra e mares, é espelhado na estrutura tríplice do tabernáculo, com o Santo dos Santos correspondendo à sala celestial do trono de Deus. O propósito da criação, então, é que Deus e a humanidade habitem na casa de Deus em comunhão. Assim Como o “fim principal” da humanidade, a comunhão do dia do Senhor com Deus é realçada, já que o sétimo dia é o único que foi, em todo o livro de Gênesis, santificado por Deus (Gn 2. 3).
Nas narrativas do Éden (Gn 2. 4–4.16), as imagens do tabernáculo se desenvolvem ricamente com o jardim do Éden retratado como o Santo dos Santos original. A exuberância do Éden é capturada na plenitude da vida associada ao tabernáculo, incluindo o candelabro, uma árvore estilizada que alguns compararam à árvore da vida do Éden (a visão do templo de Ezequiel inclui também um rio da vida em Ez 47.1-12). A presença do Senhor no Éden, descrita como “andar”, é apresentada similarmente ao tabernáculo (Gn 3. 8; Lev. 26. 11-12). Além disso, a descrição da obra de Adão no jardim, melhor traduzido como “adorar e obedecer” (Gn 2.15), é usado em outros lugares para descrever exclusivamente a obra dos levitas no tabernáculo (Nm 3. 7-8). Até mesmo a linguagem para a vestimenta que Deus fez para Adão e a mulher reaparece mais tarde, nas roupas com as quais Moisés veste os sacerdotes (Gn 3.21; Lev 8.13).
Possivelmente, mais explicitamente, o jardim do Éden fosse orientado para o leste, e após a expulsão de Adão e Eva, querubins – criaturas com aparência intimidadora – foram posicionados para guardar a entrada do jardim (Gn 3.24), características que no mundo antigo comumente marcavam a entrada de um santuário. O único lugar, no Pentateuco, além de Gênesis, onde os querubins aparecem novamente é em conexão com as cortinas e o propiciatório do tabernáculo (Êx 25. 18-21; 26. 1; 26. 31), que também era orientado para o leste (Êx 27. 9-18; Nm 3:38).
O ponto principal desses paralelos é que a estrutura do tabernáculo (incluindo móveis, o sacerdócio, sacrifícios, calendários e rituais), como um presente de Deus, deveria recapturar o ideal de Deus para a criação, reafirmando sua intenção de habitar com a humanidade. O movimento da nuvem de glória sobre o tabernáculo em Êxodo 40.34, portanto, representou uma nova criação cheia da glória de Deus, com Arão e sua linhagem servindo ao papel de um novo Adão nessa “criação”. Teologicamente, então, dizer que o cosmo era o tabernáculo original de Deus, é entender que o tabernáculo foi criado para refletir a criação, que o Santo dos Santos representou o jardim do Éden, e que o sacerdócio atuava como uma humanidade renovada. Em outras palavras, o sistema do tabernáculo era como um “globo de neve”, um microcosmo dentro do cosmos, um modelo cerimonial da criação completo com sua humanidade exclusiva, onde os sacerdotes deveriam ser saudáveis e fisicamente perfeitos (Lv 21. 17-23) e abster-se de lamentar e de guardar luto (Lv10. 6; 21:1–3), por exemplo, fazia parte da função do sacerdote retratar como seria a vida da humanidade com Deus no Éden.
A analogia entre o tabernáculo e a criação leva a três observações importantes. Primeiro, os rituais encontram seu significado em relação à criação e, particularmente, nas primeiras narrativas do Gênesis. No Dia da Expiação, especialmente, encontramos a história da expulsão da humanidade do Éden invertida: como uma figura de Adão, o sumo sacerdote viajaria para o oeste através da entrada vigiada por querubins no jardim do Éden, isto é, através do véu bordado com querubins até ao santo dos santos levando o sangue da expiação. Neste santo dia de outono, os pecados do povo de Deus eram evidentemente removidos “quanto dista o oriente do ocidente” (Sl 103.12), quando o bode expiatório era levado para longe do Leste, o próprio tabernáculo, como morada de Deus e modelo do cosmos, era purificado ritualmente da impureza dos pecados de Israel.
Segundo, a analogia entre o tabernáculo e a criação também deixa claro que o drama de rituais como o Dia da Expiação, que purificava somente o modelo do cosmos, precisaria ocorrer no cenário da própria criação, em prol da casa original de Deus, o cosmos. Isso é parte da mensagem do livro de Hebreus, cujo autor transforma o escândalo de Jesus não ter uma linhagem levítica, excluindo-o do ministério sacerdotal, em uma necessidade lógica: Se Jesus fosse um levita, seus sacrifícios e ministério teriam sido limitado ao modelo do cosmos (isto é, o templo). Jesus, no entanto, realizou o verdadeiro Dia da Expiação ao entrar, não no modelo do paraíso celestial (o Santo dos Santos), mas na realidade, de fato, ele entrou no “próprio céu”, e isto não com o sangue de touros e cabras que representaram a vida da humanidade, mas com o seu próprio sangue (Hb 9. 11-15; 23-28).
Terceiro, quando Deus introduzir os novos céus e a nova terra, tendo a criação sido limpa pela obra expiatória de Cristo e renovada pelo fogo do Espírito Santo, não haverá mais necessidade de um templo – pois o povo de Deus habitará com Deus na própria casa de Deus que será a nova criação. O tabernáculo e o templo eram provisórios para a era entre a criação e a nova criação.
A aliança e o templo
Para entender o significado do tabernáculo na história, é necessário olhar – através da Escritura – para fora da criação e do tempo, para uma determinada vontade de Deus, uma vontade revelada na promessa da aliança repetida com frequência: “Andarei entre vó e serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo”. Esse sentido triplo é recorrente, no todo ou em parte, por toda a Escritura, como o coração da aliança, o objetivo da criação e da redenção. De fato, o tabernáculo repleto de glória no final do livro de Êxodo já havia sido antecipado justamente por tais declarações da promessa da aliança: “E me farão um santuário, para que eu possa habitar no meio deles.” (Êx 25. 8) e “E habitarei no meio dos filhos de Israel e serei o seu Deus. E saberão que eu sou o Senhor, seu Deus, que os tirou da terra do Egito, para habitar no meio deles; eu sou o Senhor, seu Deus.” (29. 45 – 46). Mais tarde os profetas usariam o templo como um símbolo para esse relacionamento de aliança, declarando que Deus realmente redimiria e santificaria seu povo e moraria com ele (ver, por exemplo, Ezequiel 36. 26 – 27). Na aliança davídica, o papel do templo no plano de redenção de Deus eleva-se à proeminência singular.
Depois que Deus escolheu o Monte Sião como sua morada permanente, Davi expressou seu desejo de estabelecer uma casa permanente para Deus, isto é, construir um templo para ele (2Sam 7). Embora Davi tenha sido declarado incapaz de construir o templo devido ao seu derramamento de muito sangue, essa proibição foi dada dentro do contexto de suas guerras de conquista (1Rs 5. 3; 1Cr 22. 8; 28. 3). Uma vez que a transição da habitação móvel de Deus para o templo permanente pretendia transmitir a ideia de estabilidade, era mais apropriado que o filho e herdeiro de Davi, Salomão, cujo reinado refletia a estabilidade da sucessão dinâmica (em vez da conquista), construísse o templo. Mais profundamente, a resposta do Senhor a Davi sugere que, em última análise, um filho diferente de Salomão estava em mente, bem como uma casa diferente do edifício de Salomão. A língua hebraica usa o mesmo termo tanto para “casa” como para “lar” (no sentido de um agregado familiar), então os intérpretes deveriam avaliar o contexto para discernir qual ideia se deve transmitir.
Em 2 Samuel 7. 1 – 7, Davi anseia construir uma casa para Deus. A resposta de Deus a Davi, no entanto, muda o significado do termo de “casa” para “lar”: o Senhor “fará de você um “lar” (v.11), como em uma casa real ou dinastia. Então Deus prometeu que o filho de Davi seria aquele que construiria “uma casa ao o meu nome” (v.13). A questão intrigante aqui é como o termo deve ser usado neste versículo: como “casa” ou “lar”? Dada a recente transformação do termo, por parte do Senhor, de uma “casa de pedra” para uma “casa de filhos”, sem mencionar suas relativamente indiferentes observações em relação à primeira (vv. 5-7), haveria um certo anticlímax na conclusão da história se consideramos que o filho de Davi construiria meramente uma casa de pedra.
Em vez disso, o rico jogo de palavras permite o cumprimento inicial, no templo de Salomão (1Rs 8), como um evento que apontou para uma realidade mais maravilhosa: Jesus Cristo, o Filho de Davi, que edificaria a igreja como um templo de pedras vivas. uma casa como a morada de Deus pelo Seu Espírito (Ef 2.19-22). O Novo Testamento retrata a salvação como homens sendo trazidos para a casa de Deus, tornando-se em filhos de Deus, sendo-lhe dado o nascimento celestial pelo seu Espírito (Jo 1.12-13; 3. 3-8; 1Jo 3.1). O povo de Deus é a sua casa e o seu lar.
A bacia de bronze

Conforme os adoradores israelitas iam adentrando os pátios do tabernáculo e do templo, diferentes visões, sons e cheiros os arremetiam. Fora da constante atividade dos sacerdotes, enquanto ministravam diante do Senhor, uma óbvia realidade envolvia os participantes: o ritual do sacrifício era algo sujo. O pecado criou uma brecha no relacionamento da humanidade com Deus e trouxe corrupção moral, claramente simbolizada na mistura de sangue e sujeira nas vestes e corpos dos sacerdotes.
No entanto, dentro dos pátios, o Santo de Israel havia colocado utensílios pelos quais Aarão e seus descendentes deveriam cerimonialmente purificar-se e consagrar-se pois representavam Israel no componente mais fundamental e importante da existência humana, a adoração. Esses recipientes eram a bacia de bronze do tabernáculo e o mar de fundição do templo.
O livro de Êxodo registra poucos detalhes sobre a construção da bacia de bronze (Êx 30.17-21). O Senhor manda Moisés fazer a bacia e seu suporte de bronze, mas ele não prescreve dimensões para a bacia. Em vez disso, ele enfatiza sua localização e função: “Pô-la-ás entre a tenda da congregação e o altar” (v.18), “Nela, Arão e seus filhos lavarão as mãos e os pés. Quando entrarem na tenda da congregação, lavar-se-ão com água, para que não morram” (v. 19-20).
Segue-se então uma advertência: “Lavarão, pois, as mãos e os pés, para que não morram” (v. 21). Essa determinação revela o objetivo principal da bacia. O altar e a tenda da congregação serviam como o caminho de ligação através do qual o sacerdote, e pela sua mediação, Israel como um todo, entravam na presença do Deus santo. Em sua presença, há somente duas opções: a morte devido à contaminação ou a adoração através da pureza. A lavagem com água era a forma provisória e repetitiva, providenciada pelo Senhor, pela qual os sacerdotes eram submetidos a purificação ritual e assim pudessem ministrar em sua presença.
Embora o formato da bacia de bronze tenha sofrido alterações condizentes com a glória do templo no Monte Sião, sua função primária como meio de purificação ritual permaneceu inalterada. Seguindo as instruções reveladas a Davi (1Cr 28.19), Salomão lançou uma estrutura de bronze monumental, o “mar de fundição”, um tanque de mais de dois metros de profundidade, com um diâmetro de quase cinco metros, onde havia quase quarenta mil litros de água, este recipiente apresentava uma borda “como a flor do lírio” e com duas fileiras circundantes de representações de frutos (1Rs 7.23-26). Quatro conjuntos, de três bois de bronze cada, apoiavam o mar, cada conjunto voltado para um dos quatro pontos cardeais.
Os autores bíblicos novamente se concentram menos em detalhes e mais em simbolismo e propósito. Como um boi selvagem (Nm 24.8), o Senhor, “majestoso em santidade”, pisoteara todos os inimigos físicos e existenciais, estabeleceu seu santuário terrestre em Sião (Êx 15. 13,17) e prescreveu leis para sua adoração. Como testemunhas maravilhadas com o poder e a pureza da santidade de Deus, representada pelo mar de fundição, muitas pessoas devem ter ecoado as palavras de Davi no Salmo 15: “Quem, Senhor, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu monte santo”? (V.1).
A resposta de Davi à sua própria pergunta – “O que vive com integridade, e pratica a justiça, e, de coração, fala a verdade” (v. 2) – demonstra que a bacia e o mar de fundição ofereciam mais do que somente a lavagem com água, eles apontavam para uma realidade maior: a entrada na presença de Deus exigia pureza moral. A provisão de um ritual de purificação, pelo Senhor, consagrou Arão e seus descendentes ao serviço mas não os livrou de seus pecados. Pelo contrário, a necessidade de se lavarem continuamente enfatizava sua impureza, sua incapacidade de se manterem puros e a paciência de Deus diante da necessidade de punição por seus pecados (Rm 3.25), até o momento em que fosse comissionado outro sumo sacerdote, à semelhança de Melquisedeque, “santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores” (Hb 7.26), para tratar a contaminação. Este Sumo Sacerdote inocente, Jesus, “amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito” (Ef 5.25-27).
A lavagem “de uma vez por todas”, simbolizada pelo batismo, ocorre quando os pecadores corrompidos se arrependem de seus pecados, pela fé recebem as promessas de Deus proclamadas em sua Palavra e cumpridas em Jesus, unindo se a ele. Através desta união, os crentes rompem com suas vidas antigas e iniciam um processo de santificação no qual eles vão assumindo as qualidades de seu Salvador, que assegurará a conclusão da santificação e um lugar onde eles viverão, para sempre, na presença do Deus Santo.
O candelabro
Um dos três objetos que ficavam no Santo Lugar do tabernáculo de Israel era o candelabro de ouro. O mandamento de Deus para fazer um candelabro para o santuário aparece em Êxodo 25.31–40 (ver também 37.17–24). A palavra hebraica para “candelabro” é “menorá”, e deriva de um verbo que significa “flamejar”. O nome menorá simplesmente ressalta o propósito utilitário do candelabro: Dar luz aos sacerdotes que serviam no Santo Lugar do tabernáculo.
Em Êxodo 25:40 Deus disse a Moisés que a menorá deveria ser feita especialmente e especificamente “segundo o modelo que te foi mostrado no monte”. De fato, todo o santuário e todos os seus móveis seriam construídos com base no padrão ou modelo fornecido por Deus (ver v. 9). O tabernáculo deveria ser integralmente um modelo de outra coisa, deveria ser uma réplica da perfeição original que era o santuário celestial. Assim, as próprias especificações da menorá foram dadas por Deus diretamente a Moisés no Monte Sinai.
O candelabro deveria ser feito de ouro puro, martelado para conformar todas as suas partes formando uma única peça. Os equipamentos não fixados à menorá, como espevitadeiras e apagadores, também deveria ser feito de ouro puro. O candelabro e todos os seus apetrechos juntos seriam feitos de um “talento” de ouro puro (v. 39). De acordo com Êxodo 38. 24–31, o talento equivalia a cerca de três mil shekels, ou algo entre vinte e quatro e trinta e seis quilogramas.
O desenho do candelabro de ouro era formado em torno de uma haste central com três ramos de cada lado, totalizando assim, ao todo, sete hastes. Parecia uma árvore, de fato, seu desenho era típico das árvores estilizadas retratadas na arte antiga do “Próximo-Oriente”. No antigo “Próximo-Oriente”, artísitcamente a árvore significava vida, prosperidade e produtividade. Para o povo de Deus, a menorá no templo simbolizava a mesma coisa: a vida e as bênçãos que Deus havia dado ao seu povo. No entanto, o candelabro deveria também lembrar o povo hebreu de uma árvore em particular.
Como muitos eruditos reconhecem, tanto o tabernáculo como o templo foram planejados e projetados para que os adoradores lembrassem do jardim no Éden como um santuário onde Adão era o sacerdote. No meio do jardim, o santuário era a árvore da vida. A menorá era, portanto, símbolo não somente da vida, mas da vida eterna para o verdadeiro povo de Deus. E Deus não olhou somente para trás, para a árvore da vida no jardim, mas também antecipou a árvore da vida que está nos novos céus e na nova terra, descritos em Apocalipse 22. Lá, naquele santuário edênico da nova Jerusalém, o apóstolo João tem uma visão do “rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro. No meio da sua praça, de uma e outra margem do rio, está a árvore da vida, que produz doze frutos, dando o seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a cura dos povos. (Ap 22. 1–2)
Também é significativo notar que a menorá era um candelabro de sete hastes. O número sete na cultura hebraica frequentemente levava à ideia de completude e inteireza, e é bem provável que o número apontasse para o conceito de conclusão do sábado. Como tal, serviria como lembrete da semana de criação de sete dias em que Deus trouxe a primeira luz ao mundo. Para o adorador hebreu, portanto, o candelabro apontava para o passado, quando a luz de Deus inundou o mundo, e no tabernáculo apontava para o presente quando Deus fazia brilhar a perfeita luz na comunhão do pacto.
Para o crente de hoje, a menorá é um objeto desnecessário para a adoração porque Jesus proclamou “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida”. (João 8.12). De fato, Jesus é “a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem” (1. 9). E na nova Jerusalém, não haverá necessidade de uma menorá porque “A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada.” (Ap 21. 23).
Finalmente, o Senhor ordenou, em sua lei, que Arão e seus filhos cuidassem do candelabro “desde a tarde até pela a manhã” (Êx 27.21). Essa obrigação deveria ser cumprida diariamente pelos sacerdotes para que a lâmpada permanecesse acesa continuamente na tenda da congregação (27.20). Além da função utilitária, a natureza da luz brilhando constantemente simbolizava a eterna entrega, da parte de Deus, de vida e luz ao seu povo. . . especialmente na encarnação e obra de Jesus Cristo.
A mesa dos Pães da ProposiçãoPara muitos de nós, a mesa da sala de jantar pode ser o local mais precioso de nossa casa. Isto não é simplesmente por causa do sustento recebido ali, mas também devido à interação amorosa que ocorre com a família e amigos enquanto uma refeição é compartilhada.
Nossa própria experiência de compartilhar uma refeição nos permite apreciar melhor o simbolismo da mesa dos pães no tabernáculo. Posicionada ao lado direito de quem entrava no Lugar Santo, a mesa era feita de madeira de acácia e revestida de ouro puro (Êx 25. 23-30; 37.10-16). Media cerca de um metro de comprimento, meio metro de largura e setenta centímetros de altura, ao seu redor havia uma moldura de ouro com quatro dedos de largura, fixada a cada uma de suas quatro pernas, havia uma argola de ouro por onde se introduziam as varas quando chegasse o momento de transportá-la. Além disso, pratos, recipientes, jarros e taças feitos de ouro puro eram colocados sobre a mesa. Os pratos e recipientes provavelmente continham o incenso, e os potes e taças eram aparentemente usados para libações (ofertas de bebidas).
O objetivo principal da mesa era servir de apoio para “os pães da proposição” (literalmente, “Pão da Presença”), que era colocado diante da presença (ou face) de “Yahweh” (Êx 25.30). A cada sábado, os sacerdotes substituíam os pães da semana anterior por uma nova porção de pães quentes (Lv 24. 5-9). Exatamente doze pães, representando as doze tribos de Israel, deveriam ser dispostos em duas fileiras de seis, Esses pães eram uma oferta de alimentos apresentada à Deus, que deveria ser continuamente realizada como “aliança perpétua” (Lv 24.8).
Juntamente com os outros elementos do tabernáculo, a mesa destaca a relação de aliança entre Deus e seu povo, enquanto Yahweh habita com Israel de maneira especial. Embora muito possa ser dito sobre essa mesa, há duas coisas principais a serem observadas.
Primeiro, a mesa dos pães enfatiza a provisão de Deus para Israel. Deus é o Criador e o Senhor da aliança, que prometeu redimir e cuidar do seu povo. Deus, sendo a fonte da vida, lhes dava seu pão diário (como o maná no deserto em Êxodo 16.1-36). Mais ainda, ele é a fonte da vida eterna e o povo reconhecia isso participando do ritual de ofertas de alimentos. Eles ofereciam, para a mesa, uma porção do que Deus, de forma abundante lhes dava, desta forma, mostravam sua gratidão e adoravam o Senhor da aliança.
Em segundo lugar, a mesa destaca a íntima comunhão existente entre Deus e seu povo. Na Bíblia, uma refeição compartilhada era um tempo de íntima comunhão entre as pessoas, especialmente no contexto de uma aliança (por exemplo, a refeição de Abraão com Deus em Gênesis 18.1-9). Significativamente, um capítulo anterior de Êxodo mostra um maravilhoso exemplo disso. Em Êxodo 24.9-11, depois que Deus deu sua lei a Israel, Moisés e os anciãos subiram a montanha para comerem uma refeição com o Senhor, e o texto relata, de forma maravilhosa, que naquele momento eles viram Deus (vv. 10-11). Esta foi a refeição da aliança que comemorava a relação entre Yahweh e Israel. O ato de comer na presença de Deus revelava que Israel era intimamente conhecido e amado por ele. Assim como os doze pães eram uma oferta de alimentos para o Senhor e que mais tarde seriam comidos pelos representantes sacerdotais do povo, a mesa tornou-se um lembrete perpétuo da comunhão íntima compartilhada entre Deus e o seu povo.
Esses elementos do Antigo Testamento são sombras de melhores realidades que chegariam à igreja em Jesus Cristo (Hb 10.1). Ele é a mais completa expressão do tabernáculo e do templo representando a presença de Deus entre o seu povo (Mt 1.23; Jo 1.14; 2.19-21). Por meio dele Deus deu vida à igreja, tanto agora (Mt 6.11; Fp 4.19) como eternamente (Jo 3.16; At 4.12). O “Pão da Presença”, em última análise, apontava para Jesus como o pão do céu (João 6. 22-65). Ele é o pão da vida (vv 35,48), o verdadeiro maná celestial (vv. 30-33), e todo aquele que come sua carne e bebe seu sangue, isto é, aquele que crê nele, tem a vida eterna (vv 51 –58).
Esse ato de alimentar-se de Cristo pela fé é simbolizado na Ceia do Senhor (1Co 11. 23-26), que não mais se limita aos sacerdotes, como os pães da proposição da antiga aliança. Na refeição da nova aliança todos os crentes podem tomar parte da íntima comunhão com o Deus trino, e juntos, a igreja comprova que são conhecidos e amados por ele. A Mesa do Senhor aponta ainda, para a gloriosa ceia das bodas do Cordeiro, onde Cristo e sua igreja viverão em comunhão eterna (Ap 19. 6–9). Esta é a mesa que Deus está preparando para aqueles que o amam, antes, para aqueles que são amados por ele.
O altar do incenso
Muitos dos móveis do tabernáculo tinham um propósito funcional. O candelabro iluminava um recinto escuro, enquanto a mesa fornecia um lugar para colocar os pães da proposição. Enquanto isso, o altar de incenso servia ao propósito prático de perfumar agradavelmente o ar. Esses itens eram, em muitos aspectos, peças comuns de mobília, embora feitas de ouro puro e ricamente ornamentadas de forma a se adequarem à mobília de um rei. Todos os cinco sentidos eram ministrados pelo ritual sacerdotal diário: visão, olfato e paladar eram dirigidos através do candelabro, do altar de incenso e da mesa dos pães da proposição, enquanto a audição era ministrada pelos sinos nas vestes do sumo sacerdote. Tudo era concebido como uma rica experiência multissensorial voltada para Deus, não porque ele tenha sentidos como os nossos, mas como um reconhecimento da bondade de cada um dos diversos sentidos que ele nos deu. Somente o melhor de tudo poderia ser bom o suficiente para se oferecer ao Criador do universo.
Além de sua utilidade prática e atratividade sensorial, o mobiliário do tabernáculo também servia a um papel simbólico multifuncional para o povo de Deus. As sete lâmpadas no candelabro simbolizavam a bênção de Deus brilhando sobre os doze pães da proposição que representavam as doze tribos de Israel. O próprio candelabro era uma espécie de coluna de fogo em miniatura, lembrando a presença de Deus com o seu povo no deserto. O altar de incenso formava a adequada coluna de fumaça para acompanhar a coluna de fogo do candelabro.
E ainda mais, a fumaça do próprio incenso, subindo constantemente do altar, passou a simbolizar as orações do povo de Deus subindo constantemente diante do Senhor. No tabernáculo, o incenso só podia ser oferecido pelos sacerdotes, que assim serviam como mediadores entre o povo e Deus, trazendo simbolicamente suas orações à presença do Altíssimo. Essa ideia é expressa no Salmo 141.2, onde Davi ora ao Senhor: “Suba à tua presença a minha oração, como incenso,”. Uma notável violação deste protocolo está registrada em 2 Crônicas, quando o rei Azarias (também conhecido como Uzias) tentou entrar no Santo Lugar e queimar uma oferta de incenso em seu próprio nome, diante dos protestos dos sacerdotes. Em lugar do status elevado que buscava, ele foi atingido pela lepra, o que o tornou impuro e, portanto, incapaz de, no futuro, voltar a entrar em qualquer parte do complexo do templo (26.16-21).
O altar de incenso também estava ligado aos rituais de sacrifício de Israel. Quando uma oferta de sacrifício era exigida devido a um pecado do sumo sacerdote, o sangue do novilho ofertado deveria ser colocado nos chifres do altar do incenso e derramado na sua base (Lv 4.3-7). Já uma oferta de sacrifício pelo pecado da comunidade como um todo requeria um sacrifício similar, com o sangue também sendo colocado nos chifres do altar do incenso, entretanto, o sangue do novilho ofertado deveria ser derramado no altar menos sagrado do holocausto (vv. 13-18). Contudo, mesmo essas ofertas regulares de sacrifícios pelos pecados não eram suficientes para lidar com a contaminação acumulada causada pelo pecado das pessoas; a fim de evitar que a terra se tornasse imprópria para a habitação divina, o sumo sacerdote tinha que entrar no Santo dos Santos uma vez por ano no Dia da Expiação. Ele carregava consigo um incensário portátil que forneceria uma nuvem protetora de fumaça, sob a qual ele poderia levar, com segurança, o sangue das ofertas de purificação e aplicá-lo ao propiciatório no topo da arca da aliança (Levítico 16.12-13).
Embora o incenso fosse uma parte essencial da adoração no tabernáculo e no templo, não é mais necessário para o culto da nova aliança. No novo templo, a igreja, o antigo ritual sacerdotal foi substituído pelo que ele simbolizava, as orações dos santos (ver Ap 5.8; 8.3-4). Agora não precisamos mais de mediadores sacerdotais para levar nossas orações e petições a Deus, pois podemos nos aproximar dele em nome de Cristo, nosso grande Sumo Sacerdote. Ele não é apenas nosso advogado mas, ele próprio, o sacrifício expiatório pelos nossos pecados (1Jo 2.2). Como nosso verdadeiro Sumo Sacerdote, ele levou seu próprio sangue ao arquétipo celestial, para o qual o tabernáculo e o templo apontavam e aplicou-o ao propiciatório celestial, purificando assim seu povo para sempre (Hb 9.11-14). Isto é o que nos permite aproximarmo-nos de Deus sem medo, sem uma cobertura protetora de incenso, seguros através do sangue aspergido de Cristo, que é o mediador da nova aliança (12.24). Como o escritor aos Hebreus resume: “Por isso, recebendo, nós, um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor” (v. 28). Que nossas orações de gratidão subam, como incenso, diariamente diante de Deus.
Muitos dos móveis do tabernáculo tinham um propósito funcional. O candelabro iluminava um recinto escuro, enquanto a mesa fornecia um lugar para colocar os pães da proposição. Enquanto isso, o altar de incenso servia ao propósito prático de perfumar agradavelmente o ar. Esses itens eram, em muitos aspectos, peças comuns de mobília, embora feitas de ouro puro e ricamente ornamentadas de forma a se adequarem à mobília de um rei. Todos os cinco sentidos eram ministrados pelo ritual sacerdotal diário: visão, olfato e paladar eram dirigidos através do candelabro, do altar de incenso e da mesa dos pães da proposição, enquanto a audição era ministrada pelos sinos nas vestes do sumo sacerdote. Tudo era concebido como uma rica experiência multissensorial voltada para Deus, não porque ele tenha sentidos como os nossos, mas como um reconhecimento da bondade de cada um dos diversos sentidos que ele nos deu. Somente o melhor de tudo poderia ser bom o suficiente para se oferecer ao Criador do universo.
Além de sua utilidade prática e atratividade sensorial, o mobiliário do tabernáculo também servia a um papel simbólico multifuncional para o povo de Deus. As sete lâmpadas no candelabro simbolizavam a bênção de Deus brilhando sobre os doze pães da proposição que representavam as doze tribos de Israel. O próprio candelabro era uma espécie de coluna de fogo em miniatura, lembrando a presença de Deus com o seu povo no deserto. O altar de incenso formava a adequada coluna de fumaça para acompanhar a coluna de fogo do candelabro.
E ainda mais, a fumaça do próprio incenso, subindo constantemente do altar, passou a simbolizar as orações do povo de Deus subindo constantemente diante do Senhor. No tabernáculo, o incenso só podia ser oferecido pelos sacerdotes, que assim serviam como mediadores entre o povo e Deus, trazendo simbolicamente suas orações à presença do Altíssimo. Essa ideia é expressa no Salmo 141.2, onde Davi ora ao Senhor: “Suba à tua presença a minha oração, como incenso,”. Uma notável violação deste protocolo está registrada em 2 Crônicas, quando o rei Azarias (também conhecido como Uzias) tentou entrar no Santo Lugar e queimar uma oferta de incenso em seu próprio nome, diante dos protestos dos sacerdotes. Em lugar do status elevado que buscava, ele foi atingido pela lepra, o que o tornou impuro e, portanto, incapaz de, no futuro, voltar a entrar em qualquer parte do complexo do templo (26.16-21).
O altar de incenso também estava ligado aos rituais de sacrifício de Israel. Quando uma oferta de sacrifício era exigida devido a um pecado do sumo sacerdote, o sangue do novilho ofertado deveria ser colocado nos chifres do altar do incenso e derramado na sua base (Lv 4.3-7). Já uma oferta de sacrifício pelo pecado da comunidade como um todo requeria um sacrifício similar, com o sangue também sendo colocado nos chifres do altar do incenso, entretanto, o sangue do novilho ofertado deveria ser derramado no altar menos sagrado do holocausto (vv. 13-18). Contudo, mesmo essas ofertas regulares de sacrifícios pelos pecados não eram suficientes para lidar com a contaminação acumulada causada pelo pecado das pessoas; a fim de evitar que a terra se tornasse imprópria para a habitação divina, o sumo sacerdote tinha que entrar no Santo dos Santos uma vez por ano no Dia da Expiação. Ele carregava consigo um incensário portátil que forneceria uma nuvem protetora de fumaça, sob a qual ele poderia levar, com segurança, o sangue das ofertas de purificação e aplicá-lo ao propiciatório no topo da arca da aliança (Levítico 16.12-13).
Embora o incenso fosse uma parte essencial da adoração no tabernáculo e no templo, não é mais necessário para o culto da nova aliança. No novo templo, a igreja, o antigo ritual sacerdotal foi substituído pelo que ele simbolizava, as orações dos santos (ver Ap 5.8; 8.3-4). Agora não precisamos mais de mediadores sacerdotais para levar nossas orações e petições a Deus, pois podemos nos aproximar dele em nome de Cristo, nosso grande Sumo Sacerdote. Ele não é apenas nosso advogado mas, ele próprio, o sacrifício expiatório pelos nossos pecados (1Jo 2.2). Como nosso verdadeiro Sumo Sacerdote, ele levou seu próprio sangue ao arquétipo celestial, para o qual o tabernáculo e o templo apontavam e aplicou-o ao propiciatório celestial, purificando assim seu povo para sempre (Hb 9.11-14). Isto é o que nos permite aproximarmo-nos de Deus sem medo, sem uma cobertura protetora de incenso, seguros através do sangue aspergido de Cristo, que é o mediador da nova aliança (12.24). Como o escritor aos Hebreus resume: “Por isso, recebendo, nós, um reino inabalável, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus de modo agradável, com reverência e santo temor” (v. 28). Que nossas orações de gratidão subam, como incenso, diariamente diante de Deus.
A Cortina
Quando Adão e Eva viviam no jardim, estavam na presença absoluta de Deus. Depois de sua transgressão foram expulsos, separados da presença de Deus. Querubins com uma espada flamejante estavam posicionados a leste do jardim para impedir seu retorno e para impor a separação da presença de Deus. Homens poderiam oferecer sacrifícios a Deus, poderiam orar a ele, mas o caminho para a sua presença permaneceria fechado. Os querubins, embora não estivessem mais visíveis, permaneciam em guarda. E esta separação permaneceu por gerações.
Quando Moisés recebeu a lei no Monte Sinai, essa lei incluía instruções para a construção do tabernáculo, entre essas instruções estava a confecção de uma cortina ou véu (Êx 26.30-35). O propósito desta cortina era estabelecer uma divisão entre o Santo Lugar e o Santo dos Santos. No Santo Lugar estavam o candelabro, a mesa para o pão da proposição e o altar do incenso. No Lugar Santíssimo estava a arca da aliança, coberta pelo propiciatório, sobre a qual dois querubins guardavam a presença de Deus. Este era o lugar onde Deus tornava visível sua presença e de onde falava a Moisés.
O véu que dividia o Santo Lugar do Lugar Santíssimo era bordado com querubins, representando os querubins a leste do Éden, mantendo a humanidade longe da presença de Deus. Mas uma mudança aconteceu. A proibição absoluta de entrar na presença de Deus agora já não era tão absoluta. A porta para a presença de Deus que tinha sido tão firmemente fechada no Éden agora apresentava uma fenda. Era, na verdade, ainda uma fenda muito pequena, mas era uma fenda verdadeira. Agora o sumo sacerdote, uma vez por ano, acompanhado pela fumaça que se levantava do incenso, e pelo sangue dos sacrifícios, podia entrar no Lugar Santíssimo (Lv 16). Ele poderia entrar no lugar da presença de Deus.
As pessoas saberiam disso se fossem devidamente instruídas. A lei deveria ser lida diante do povo a cada sete anos (Dt 31. 9-13), os levitas deveriam mencionar tais coisas em seu trabalho de instrução entre o povo. Para a maioria das pessoas, no entanto, a mudança teria parecido insignificante, afinal, afetava somente o sumo sacerdote e apenas uma vez por ano. Além disso, à medida que mais gerações iam se passando, não havia mais mudanças nos estatutos para indicar que qualquer novo desenvolvimento poderia ser esperado. Quando o templo foi construído, foi feito um novo véu, bordado com querubins e separando o Santo dos Santos (2Cr 3.14), além disso, as paredes do templo eram adornadas com querubins. Exceto pelo sumo sacerdote, uma vez por ano, não havia entrada na presença de Deus.
Mas a era profética havia dado a entender que mais mudanças viriam. Isaías 25.7 diz: “Destruirá neste monte a coberta que envolve todos os povos e o véu que está posto sobre todas as nações”. A palavra “coberta” não é o mesmo que a palavra “véu”. No entanto, a conexão com a montanha sagrada do Senhor e a expectativa ansiosa do povo pela sua vinda, ao menos sugerem uma mudança adicional, uma mudança muito significativa.
Mais uma vez, um período de silêncio se seguiu. Então, no final do ministério de Jesus, no instante exato de sua morte, a cortina do templo foi rasgada em duas partes, de alto a baixo. Este testemunho está incluído em todos os três Evangelhos Sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas). Algo estranho, admirável e maravilhoso aconteceu. O caminho para a presença de Deus foi mais uma vez aberto. Os Evangelhos Sinóticos apresentam o fato, enquanto o autor de Hebreus explica o que aconteceu.
Primeiro, lemos que o próprio Jesus penetra além do véu, a cortina (Hb 6.19), como nosso Sumo Sacerdote. Como o Sumo Sacerdote no tabernáculo e no templo, Jesus entrou no Santo dos Santos. No entanto, Jesus não adentrou apenas a “representação” terrestre do lugar mais santo do templo, ele entrou no verdadeiro Santo dos Santos no céu, onde ancorou nossa esperança.
Além disso, Jesus não entrou no Santíssimo Lugar temporariamente, como faziam os sumos sacerdotes do período do Antigo Testamento. Em vez disso, ele entrou de uma vez por todas (9.11-12). Isto é, ele entrou de uma vez por todas em favor de seu povo, e entrou permanentemente, para nunca mais sair.
Finalmente, o autor de Hebreus nos diz que nós também temos o privilégio de entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus (10.19-20). Ele nos mostra ainda que a cortina representava o corpo de Cristo, com o derramamento de seu sangue, essa cortina foi rasgada e o caminho para a presença de Deus foi restaurado. Os querubins guardiões com a espada flamejante foram removidos. O que foi perdido em Adão foi recuperado em Cristo.
A Arca da Aliança
A arca da aliança tem um longo, nobre e importante legado. Instruções para a sua construção e explicações referentes a um local de encontro, entre Deus e os seres humanos, são dadas em primeiro lugar em Êxodo 25.20-22. Existem, na Bíblia, mais de vinte diferentes designações para a arca. Essa arca retangular de madeira de acácia era banhada a ouro e coberta por dois querubins alados que se estendiam um de frente para o outro, sob aquelas asas estava o propiciatório, e no Dia da Expiação, era ali que o sumo sacerdote aspergia o sangue dos sacrifícios para a propiciação e expiação dos pecados.
Esta era uma caixa construída de madeira de acácia de dois côvados e meio de comprimento, um côvado e meio de largura e um côvado e meio de altura (mais ou menos um metro e vinte centímetros x oitenta centímetros x oitenta centímetros). A arca da Aliança era símbolo da presença de Deus com os homens, da Sua aliança conosco.
Dentro da arca, o Senhor ordenou a Moisés que colocasse as tábuas da lei, que simbolizavam o pacto que Ele estava fazendo com o Seu povo.
Em Hb 9: 2-5a, quando o escritor fala sobre o antigo Tabernáculo ele comenta sobre a arca: “Com efeito, foi preparado o tabernáculo, cuja parte anterior, onde estavam o candelabro, e a mesa, e a exposição dos pães, se chama o Santo Lugar; por trás do segundo véu, se encontrava o tabernáculo que se chama o Santo dos Santos, ao qual pertencia um altar de ouro para o incenso e a arca da aliança totalmente coberta de ouro, na qual estava uma urna de ouro contendo o maná, a vara de Arão, que floresceu (Nm 17: 8-10), e as tábuas da aliança; sobre ela, os querubins da glória, que, com sua sombra, cobriam o propiciatório”. E em Êx 16: 33-34 está escrito: “Disse também Moisés a Arão: Toma um vaso, mete nele um gômer cheio de maná e coloca-o diante do Senhor, para guardar-se às vossas gerações. Como o Senhor ordenara a Moisés, assim Arão o colocou diante do Testemunho [NVI, as tábuas da aliança] para o guardar”.
Isso significa:
Dentro do nosso ser Ele colocou Suas leis (tábuas – cf. 2 Co 3: 2-3: “Vós sois a nossa carta, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens, estando já manifestos como carta de Cristo, produzida pelo nosso ministério, escrita não com tinta, mas pelo Espírito do Deus vivente, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, isto é, nos corações”), Seu alimento (maná), que é a Sua palavra para nos sustentar, e a Sua unção e autoridade como reis e sacerdotes (vara de Arão que floresceu).
A arca continha três itens: os Dez Mandamentos escritos em duas tábuas (Êx 25.16; 40.20; 1Rs 8.9), a vara de Arão (Nm.17) e um vaso de maná (Êx 16.33). Visto que palavras e frases como: “aliança” (Dt 4.13), “palavras da aliança” (Êx 34.28) e “testemunho” (Êx 25.16, 21; 40.20; 2Rs 17.15) são todas terminologias alternativas para “Dez Mandamentos”, pode ser que as duas tábuas colocadas na arca contivessem cópias dos termos da aliança para as duas partes: Deus e Israel.
Mais importante ainda, a arca simbolizava, para os israelitas, a presença de Deus e era uma espécie de templo virtual colocada no tabernáculo.
Na história mais antiga de Israel, a arca serviu como salvaguarda, um objeto sagrado que garantia a segurança do povo de Israel, especialmente na guerra. A presença de Deus como um guerreiro divino representando seu povo é representada de várias maneiras ao longo do Antigo Testamento. Uma música marcial acompanhava a movimentação da arca:
Partindo a arca, Moisés dizia: Levanta-te, SENHOR, e dissipados sejam os teus inimigos, e fujam diante de ti os que te odeiam. E, quando pousava, dizia: Volta, ó SENHOR, para os milhares de milhares de Israel. (Nm 10.35–36).
Essa canção evidenciava a identificação de Yahweh com a arca. A arca simbolizava a presença de Deus no meio de seu povo quando eles saiam para a batalha contra os habitantes de Jericó e contra os filisteus, e chegou a ser levada para a batalha por Davi, isso fazia da arca um santuário móvel.
O auge da importância da arca, na história redentora do Antigo Testamento, veio quando Davi trouxe a arca para Jerusalém (2Sm 6.12-19; Sl 24.7-10; 132). Davi queria construir um templo no qual a arca seria colocada; no entanto, essa tarefa ficou para seu filho. Quando Salomão construiu o templo, ele colocou a arca no Santo dos Santos (1Rs 8; 2Cr 5). Nesse tempo, o templo passou a ocupar um lugar de destaque nos rituais de Israel, e a arca teve sua importância diminuída.
A arca desapareceu presumivelmente quando os babilônios saquearam Jerusalém, contudo, Jeremias, o profeta, disse ao povo que não se desesperasse ainda que a arca não fosse recuperada; e mais, que Jerusalém se tornaria o lugar do trono e da presença de Deus, o novo centro onde, no futuro, um grande fluxo de adoradores e servos viria prostrar-se diante do escabelo dos pés de Jesus Cristo, seu rei.
A arca da aliança e, mais particularmente, o propiciatório, era o local onde Moisés recebia a palavra de Deus: “Ali, virei a ti e, de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do Testemunho, falarei contigo acerca de tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel”. (Êx 25.22). Era também o lugar onde Moisés podia orar a Deus em favor do povo (33.7–11; 34.34; Números 12. 4–8). Samuel ouviu a palavra de Deus quando estava deitado no templo em frente à arca (1Sm 3.3). Este era um lugar de oração (1.9), e provavelmente tenha sido diante da arca que Davi orou como registrado em 2 Samuel 7.18. Pode até ter sido diante da arca que Isaías recebeu seu chamado (Is 6).
Os hebreus não eram muito propensos a representar Deus de forma visual; em vez disso, eles o representavam em palavras. Que melhor maneira haveria do que um retrato espiritual de seu Deus sendo revelado pelo próprio Deus em testemunho de “palavras”? Pois foi nesse “testemunho” nas tábuas de pedra que o caráter absolutamente moral de Deus foi revelado. Quando Cristo veio, esses tipos e sombras passaram. Todas essas sombras deram lugar ao verdadeiro templo (Jo 2.19-22). Jesus, que antes de se encarnar, era a Palavra de Deus no Antigo Testamento, tornou-se a Palavra de Deus que “tabernaculou” entre os seres humanos (Jo 1.14; Cl 2. 9).
Agora, Jesus, o verdadeiro Guerreiro Divino, age efetivamente em nome do seu povo através da sua Palavra (1Ts 2.13). Jesus é, agora, nossa luz e guia (Jo 8.12). Voltando-se para o que um autor chamou de “Acrópole da fé cristã”, observamos que o apóstolo Paulo declara que Cristo agora realizou um sacrifício que aplacou a ira, um sacrifício de expiação pelos pecados do seu povo (Rm 3.25). O tipo deu lugar ao antítipo.
Honrado por ser um lugar
Pela fé, somos honrados por sermos “um lugar”, mas não apenas qualquer lugar, e sim um lugar sagrado. A partir de 1 Pedro 2.4, Pedro muda a metáfora de “ser família de Deus” para “ser templo de Deus”. Na nova aliança, ainda há um lugar sagrado, mas seus materiais de construção não são madeira, pedra ou metais preciosos. Jesus Cristo é a pedra angular e os cristãos são as paredes do novo Santo Lugar.
Se você assiste, na televisão, àqueles programas americanos de reforma de casas, pode observar como é incrivelmente fácil derrubar paredes, reconfigurar o interior de uma casa e mudar totalmente a aparência do que já estava ali. Isso porque se usa madeira e “drywall”. No mundo antigo, no entanto, os edifícios eram construídos para durar, eram construídos de pedra. O que Pedro está dizendo aqui é que nossa honra está em sermos, nós, edificados para ser um templo sagrado permanente.
Embora cheguemos a Cristo, pela fé, como “a pedra viva” por causa de sua ressurreição, ele continua sendo “rejeitado” por tantos outros “homens” (2.4, citando Sl 118.22). Por quê? As escrituras dizem que, desde o início, os homens rejeitaram o Senhor devido ao seu (dos homens) próprio orgulho e poder (Gn 10; Sl 2). Embora estivesse sendo rejeitado pelos homens, Jesus é “para com Deus, pedra eleita e preciosa” (1Pe 2.4, citando Isaías 28.16).
Como Cristo é a pedra angular viva, escolhida e preciosa do novo Santo Lugar de Deus, “também vós mesmos, como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual” (2.5). O verbo “sois edificados” está na voz passiva, que denota que a ação é feita para nós e não por nós, como Jesus disse: “edificarei a minha igreja” (Mt 16.18). Ele está nos edificando em uma “casa espiritual”, significando que somos “animados e habitados pelo Espírito Santo”. Pense nisso: nós, pecadores, não apenas individualmente, mas corporativamente, somos o templo do Deus vivo. Deus vive entre nós – nós, aqui, referindo-se a todo o povo.
Honrado por ser um sacerdócio
Quando eu jogava basquete, nós tínhamos banquetes onde aconteciam as premiações, sempre tinha um prêmio para um jogador aqui e outro ali, mas sempre havia um garoto que não era apenas o “MVP” (jogador mais valioso) de sua equipe, mas também o primeiro time da liga, o jogador mais ofensivo do ano, o campeão de pontuação e o primeiro na lista do reitor. Da mesma forma, em Cristo, não temos apenas uma honra, mas muitas. Fomos abençoados com todas as bênçãos espirituais em Cristo (Ef 1.3).
Pela fé, somos honrados por sermos um Lugar Santo. Mas um templo é inútil sem sacerdotes que sirvam nesse lugar. Então, Pedro nos fala do propósito de Cristo nos edificar em um templo: “para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo” (1Pe 2.5). Também somos honrados em sermos sacerdócio. No Antigo Testamento, o sacerdócio vinha apenas da tribo de Levi, mas agora todos os crentes podem ser, também, honrados por Deus. Nós não somos apenas o templo em que os sacrifícios são oferecidos, mas somos aqueles que os oferecem. E que sacrifícios são esses? Sacrifícios espirituais, no sentido de sacrifícios oferecidos em virtude da obra do Espírito Santo. Nossos sacrifícios são: nossos corpos (Rm 12), nossos espíritos quebrantados e contritos (Sl 51) e nosso louvor (Hebreus 13).
Isto é visto em particular em 1 Pedro 2.9: estamos honrados por sermos “sacerdócio real […] a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. Como o louvor pode ser um sacrifício conduzido pelo Espírito e aceitável a Deus? Primeiro, louvar a Deus significa que você sacrifica seu orgulho e autoconfiança no altar da humildade. Segundo, louvar a Deus pelo Espírito, de forma aceitável, significa que você oferece a ele a adoração de seu coração e não apenas de suas mãos. Pedro diz, em 1 Pedro 1.22, que nascemos de novo para nos amarmos com “amor fraternal não fingido […] de coração, uns aos outros ardentemente”. Nossos sacrifícios de louvor a Deus devem ser sinceros, não triviais, e de coração, não algo meramente fora do comum.
Honrado por ser um povo
Pedro acrescenta aqui uma tripla honra: pela fé, somos honrados por sermos um povo. “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus […] vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia”. (1Pe 2.9-10). Esta foi a honra de Israel (Êx 19; Dt 7), mas agora é a honra de todos os que creem, judeus e gentios.
Você está se sentindo mal com seus pecados? Você está abatido pelas lutas do mundo? Você se sente perdido em um labirinto no qual você não consegue encontrar seu caminho? Medite em 1Pedro 2.4-10 e observe que cada pequena frase é como uma joia na coroa de honra que o Senhor colocou em sua cabeça. Você, pecador salvo pela graça, foi honrado por Deus com uma coroa de salvação, e nessa coroa Deus colocou as joias de ser um lugar, um sacerdócio e um povo.
Materiais usados em sua construção e seu significado
O material que dava estrutura ao Tabernáculo era a madeira, mais exatamente, madeira de Acácia.
Em Êx 26: 16 a bíblia nos dá medida das tábuas. Levando-se em consideração o côvado de cinqüenta centímetros, cada tábua teria: dez côvados comprimento (que, na verdade é a altura, pois elas eram colocadas em pé, verticalmente – Êx 26: 15); então, cada tábua tinha cinco metros altura. De largura, elas eram de 1 ½ côvados, portanto, setenta e cinco centímetros.
Em Êx 26: 18; 20; 22 (ou Êx 36: 20-34), a bíblia fala sobre o número de tábuas para o sul, para o norte e para o oeste (‘o lado posterior do Tabernáculo’), pois o anterior, ou seja, a entrada era para o lado leste, para o lado do nascente do sol. Sendo vinte tábuas de cada lado (norte e sul), o comprimento do Tabernáculo seria de quinze metros; a altura seria a mesma das tábuas (cinco metros), e a largura (medida do oeste do Tabernáculo – seis tábuas mais duas para cada canto – Êx 26: 23; 25; oito tábuas ao todo no oeste do tabernáculo), de aproximadamente cinco metros. Assim: as paredes dos lados norte, sul e oeste do Tabernáculo eram feitos de tábuas de madeira de acácia, colocadas verticalmente sobre bases de prata (duas para cada madeira – Êx 26: 21. Cada base de prata tinha o peso de 1 talento, i.e., 35 kg – Êx 38: 27) e encaixadas entre si, e quatro travessas da mesma madeira, que passavam por argolas nas tábuas. A 5ª travessa (a do meio) passava por dentro das tábuas ao invés de pelas argolas (Êx 26: 28). As tábuas e as cinco travessas de cada lado e para o lado posterior (Êx 26: 26-29) eram cobertas de ouro, e as argolas eram de ouro (Êx 26: 29). O peso das bases de prata era suficiente para manter a firmeza da estrutura. A Nova Tradução de James Moffatt (Teólogo escocês – 1870–1944) traduz a frase “Dois encaixes, travados um com o outro” (Êx 26: 17 – ARA) como: “dois pinos presos à base”. A NVI escreve: “dois encaixes paralelos um ao outro”.
Entretanto, é interessante perceber que a palavra hebraica que para nós foi traduzida como tábuas é qerãshïm (‘um cone oco’ – CVOT; Strong #7175 – qeresh, no singular; de uma raiz primitiva que significa: dividir, ou uma laje ou prancha), o que significa que as tábuas não eram pranchas sólidas ao redor de todo o Tabernáculo, mas pilares colocados sobre as duas bases de prata para cada um deles e reunidos por barras transversais (‘travessas’, na nossa tradução) unindo toda a estrutura, e dispostos de uma maneira eqüidistante (em Hebraico, shawlab’) uns dos outros. Isso teria as seguintes vantagens sobre as pranchas sólidas: 1) eram muito mais leves e, portanto, menos sujeitas a empenamento; 2) em lugar de esconder as cortinas bordadas (a 1ª coberta de que falaremos logo em seguida), formavam um painel favorecendo as cortinas de serem vistas do lado de dentro. Por que esconder as cortinas bordadas atrás de madeira sólida? As travessas corriam pelos dois lados e pelo fundo da armação, passando por argolas de ouro presas às tábuas. A travessa do meio corria horizontalmente em toda a extensão do lado do arcabouço, mas as outras quatro travessas eram menores. Elas formavam uma única armação.

Poderíamos explicar o que foi dito acima de uma maneira esquemática para melhor compreensão:
Esquema da armação de madeira do Tabernáculo de Moisés, com duas bases de prata para cada tábua
Sobre essas tábuas eram colocadas coberturas de linho e peles de animais:
• Dez cortinas de linho, com estofos (NIV, fios) azuis, púrpura (NIV, roxo) e carmesim (NIV, vermelho) desenhadas com querubins, e presas com colchetes de ouro (Êx 26: 1-6; Êx 36: 8-13). Em Êx 26: 2 a bíblia diz o tamanho das cortinas: vinte e oito côvados de comprimento e quatro de largura, ou seja, quatorze metros de comprimento e dois metros de largura. Elas eram em número de dez, cobrindo todo o Tabernáculo (Ex. 26: 6 – ‘e o tabernáculo passará a ser um todo’). Isso significa uma única estrutura. Em todo o comprimento, elas eram costuradas em 2 conjuntos de cinco cortinas. As laçadas e os colchetes de ouro prendiam um conjunto ao outro.
• Onze cortinas de pêlos de cabras, presas com colchetes de bronze (Êx 26: 7-11), também chamada de ‘a tenda sobre o tabernáculo’ (Êx 26: 7). Em Êx 26: 8 a bíblia nos dá o tamanho das cobertas de pêlos de cabras: cada uma tinha trinta côvados de comprimento e quatro côvados de largura, ou seja, quinze metros de comprimento e dois metros de largura. Assim como as cortinas faladas anteriormente, estas eram costuradas ao longo do comprimento do Tabernáculo em dois conjuntos, um com cinco cortinas e um com seis, que se uniam na metade do comprimento da tenda.
• Uma coberta de peles de carneiros tintas de vermelho (Êx 25: 5; Êx 26: 14; Êx 35: 7; Êx 35: 23; Êx 36: 19; Êx 39: 34). Quanto às medidas das cobertas de peles de carneiro curtidas, a bíblia não nos fornece estes dados.
• Outra coberta de peles finas (Êx 25: 5; Êx 26: 14; Êx 35: 7; Êx 36: 19; Êx 39: 34). A bíblia fala também: ‘animais marinhos’ (Êx 35: 23). Quanto às medidas das cobertas de peles de carneiro curtidas, a bíblia também não nos fornece estes dados.

Acacia nilotica no deserto do Neguebe ao sul de Israel
Vamos começar falando sobre a madeira que foi empregada. A madeira simboliza algo que é tirado da terra, da matéria, de uma árvore, portanto, um material perecível, mortal, humano. No caso do Tabernáculo, ele foi construído com tábua de madeira de Acácia, muito encontrada no Sinai onde Deus falou com Moisés. Todo o mobiliário do Tabernáculo e do Templo de Salomão foi construído com madeira de acácia, como foi indicado a Moisés nas revelações divinas. A acácia é uma árvore de muitas espécies. Era a árvore que fornecia sua madeira aos povos hebreus, a sagrada e aromática madeira de Sitim.
Inicialmente a acácia compreendia um grupo de espécies de plantas nativas da África (Egito), Austrália, Arábia e Palestina com a primeira espécie: Acacia nilotica descrita por Lineu. Mais tarde, outras espécies foram descobertas; então, a linhagem africana passou a se chamar Vachellia. Vachellia nilotica (amplamente conhecida como Acacia nilotica ou pelos nomes comuns da árvore, como: goma arábica, espinheiro egípcio ou acácia espinhosa) é uma espécie nativa da África, Oriente Médio e do subcontinente indiano. Além de utilizar a semente comestível e a goma da árvore, emprega-se a madeira para armas, combustível e instrumentos musicais. Ela é uma pequena árvore ou arbusto espinhoso da família das Fabaceas (Fabaceae), subfamília Mimosoideae (mimosa), gênero Acacia; uma árvore do gênero de leguminosas tropicais e subtropicais, tendo folhas compostas ou reduzidas e com cachos de pequenas flores amarelas ou brancas. Dependendo do clima, as espécies podem ser amplamente utilizadas como plantas ornamentais.
A palavra ‘acácia’ (Shittah – Strong #7848) aparece 28 vezes no AT, na grande maioria delas, relacionada ao Tabernáculo: Êx 25: 5; 10; 13; 23; 28; Êx 26: 15; 26; 32; 37; Êx 27: 1; 6; Êx 30: 1; 5; Êx 35: 7; 24; Êx 36: 20; 31; 36; Êx 37: 1; 4; 10; 15; 25; 28; Êx 38: 1; 6; Dt 10: 3; Is 41: 19.
A palavra para sarça, em hebraico é Sneh (da mesma raiz do nome próprio ‘Sinai’), que significa, literalmente: ‘arbusto’, ‘espinheiro’. A planta encontrada no Sinai, onde Deus falou com Moisés é a Seneh, também conhecida como Shittah (no singular; ou Shittim, no plural, significando ‘acácias’) e se refere à Acacia nilotica (ou Vachellia nilotica).

A flor da Acacia nilotica
Então, podemos entender que nós, como santuário do Deus Vivo na terra, somos carne frágil, pecadora, este tabernáculo de material perecível como o pó da terra, mas revestidos pelo mais precioso de Deus que é o mesmo Espírito que estava em Jesus (o ouro que cobria a madeira). O ouro na bíblia, na maior parte das vezes, se refere às coisas que eram colocadas no Tabernáculo ou no templo, despojos preciosos de guerra ou tributos a serem pagos a um império. Portanto, nos dá a idéia de algo extremamente precioso, algo mais diretamente separado para Deus ou muito importante para uma nação, como um resgate, por exemplo. Pode simbolizar a glória de Deus.
A bíblia também fala que as tábuas de madeira eram colocadas verticalmente sobre bases de prata. Havia quarenta bases de prata para vinte tábuas no norte e no sul, assim como duas bases de prata para cada tábua no lado posterior da tenda. Este metal foi usado para os colchetes, as laçadas e as argolas que sustentavam as cortinas do pátio exterior do Tabernáculo e as bases para as madeiras de que falamos. A prata é o segundo dos metais nobres, depois do ouro. Não mancha numa atmosfera pura, e pode ser polida até refletir como um espelho. O processo de refinação pode significar obediência a Deus. Assim, as madeiras sobre bases de prata simbolizam a nossa vida natural, carnal (e também espiritual, é claro) sustentada pela obediência ao Senhor, o que nos leva a ‘crucificar’ nossa carne (Crucificar é tomar a decisão de não satisfazer nossos desejos e gostos que induzam ao pecado), nosso pecado, e sermos cobertos pelo Seu sangue que nos santifica e nos purifica a cada dia da nossa jornada na terra. Em outras palavras, nos redime do pecado. Judas traiu Jesus por trinta moedas de prata, não foi? Por este preço (Zc 11: 12-13; Mt 27: 9-10), Jesus foi condenado à morte e com Seu sangue redimiu nossa vida. Portanto, além de simbolizar obediência a Deus, a prata também significa redenção.
A 1ª coberta da tenda: de linho com fios de cor púrpura (roxo), carmesim (escarlate, vermelho) e azul; querubins
Depois de tudo isso, nós podemos notar que a 1ª coberta da tenda era constituída de dez cortinas de linho, com estofos (NIV, fios) azuis, púrpura (NIV, roxo) e carmesim (NIV, vermelho) desenhadas com querubins, e presas com colchetes de ouro (Êx 26: 1-6; Êx 36: 8-13). Em relação ao ouro, nós já comentamos que é a glória de Deus na presença do Seu Espírito, morando dentro de nós, mais especificamente do nosso espírito, uma vez que o ouro revestia a madeira (a carne). Nosso corpo é a morada do nosso espírito, não é?
Essas cortinas eram de linho fino, e a bíblia fala que o linho finíssimo, branco e puro, são os atos de justiça dos santos (Ap 19: 8). Portanto, pela ação do Espírito de Deus em nós há pureza, santidade e justiça em nosso ser. O linho era raramente fabricado na Palestina; era comumente importado do Egito. O uso das vestes de linho pelos sacerdotes foi dado como orientação de Deus para Moisés, e o povo as teceu com o linho (sua fibra) trazido do Egito. Samuel usava uma estola de linho (1 Sm 2: 18); Davi dançou diante da arca usando uma estola de linho (2 Sm 6: 14). Parece mesmo que o uso do linho estava associado com pessoas especiais, santas. O linho e o linho fino eram reputados como presentes preciosos a uma mulher amada por algum homem (Ez 16: 10; 13, quando Deus compara Jerusalém à sua noiva). Por isso, como dissemos acima, a bíblia diz que o Senhor separou para a Sua Igreja, para a Sua noiva, vestes de linho finíssimo, resplandecente e puro, porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos (Ap 19: 8); portanto, santidade, não se misturar com as “vestes do pecado” do mundo.
Mas podemos notar também que nesse pano de linho havia fios de várias cores: púrpura (ou roxo), carmesim (escarlate, vermelho) e azul. Também tinha desenhos de querubins. A cor púrpura era muito usada nas vestes de reis e sacerdotes, portanto, fala de realeza. O carmesim ou vermelho (também chamado escarlate) se relaciona à cor do sangue, tanto dos animais que eram sacrificados quanto ao sangue de Jesus, o Cordeiro Santo e sem mácula que foi sacrificado por nós. Isso fala de entrega, submissão, doação a Deus, rendição total e incondicional à Sua vontade. A última cor é o azul, que está relacionado ao céu, à morada de Deus e, logicamente, à Sua divindade e ao Espírito Santo. Ezequiel teve a visão do trono de Deus como uma safira, cuja cor é azul (Ez 1: 26-28). Outro comentário interessante sobre a cor azul como correspondente ao trono de Deus está em Êx 24: 9-10 quando Moisés, Arão, seus filhos e os anciãos subiram ao Sinai por ordem de Deus para confirmar Sua aliança com Seu povo. O texto diz: “E subiram Moisés, e Arão, e Nadabe, e Abiú, e setenta dos anciãos de Israel. E viram o Deus de Israel, sob cujos pés havia uma como pavimentação de pedra de safira, que se parecia com o céu na sua claridade”. Safira é azul.
Por fim, havia desenhos de querubins nas cortinas de linho. Os querubins, em hebraico (kerühbïm, plural de ‘querube’ = celestial) são seres celestiais, e no livro de Gênesis está escrito que tinham a incumbência de guardar o caminho para a árvore da vida [símbolo de Jesus] no jardim do Éden (Gn 3: 24), assim como foram colocados sobre a arca da Aliança (Êx 25: 18-22; Hb 9: 5) para proteger os objetos sagrados guardados nela (1 Sm 4: 4; 2 Sm 6: 2; 2 Rs 19: 15; Sl 80: 1; Sl 99: 1). O nome ‘querubim’ indica uma classe de anjos com grande força de conhecimento, sabedoria e iluminação divina e que refletem a beleza do Criador. Por isso, se diz que são conhecedores dos mistérios divinos (“cheios de olhos”, como diz o profeta Ezequiel).

Dessa forma, podemos resumir assim: a 1ª coberta do Tabernáculo continha cortinas de linho com fios de cor púrpura (ou roxo), carmesim (escarlate, vermelho) e azul. Também tinha desenhos de querubins. Isso significa que, além da presença do Espírito Santo no nosso espírito (ouro – ‘o tesouro em vasos de barro’ como diz o apóstolo Paulo: 2 Co 4: 7), nos trazendo a redenção, a santificação e a purificação através da obediência (bases de prata), nós recebemos do Senhor a bênção e a responsabilidade de manter Sua pureza, justiça e santidade (linho fino e branco), sua realeza (púrpura), ou seja, a habilidade de exercer Sua autoridade na terra, assim como a capacidade da auto-doação, da entrega à vontade de Deus (carmesim) e a adoção de filhos, a marca da Sua divindade sobre nós (azul). Além disso, sabemos que somos protegidos por Seus anjos, podemos refletir a beleza e a glória do Senhor e conhecer Seus mistérios, quando recebemos e usamos corretamente Sua sabedoria.
Tudo isso só pode ser visto por quem está dentro da tenda, ou seja, apenas nós podemos enxergar completamente sem barreiras o que foi colocado por Deus no nosso interior.
Púrpura = realeza.
Carmesim ou vermelho (escarlate) = entrega, submissão, doação a Deus, rendição total e incondicional à Sua vontade.
Azul = divindade de Deus; cor relacionada ao Espírito Santo e corresponde ao trono de Deus.
Linho fino e branco = pureza, justiça e santidade.
A 2ª coberta da tenda: pêlos de cabras, colchetes de bronze
A segunda coberta colocada sobre o Tabernáculo era composta de onze cortinas de pêlos de cabras, presas com colchetes de bronze (Êx 26: 7-11), também chamada de ‘a tenda sobre o tabernáculo’ (Êx 26: 7).
Vamos falar um pouco sobre o animal, a cabra (em hebraico: ’ez), embora a mesma palavra hebraica no plural (ozim) possa se tratar do gênero masculino (‘peles de bodes’). O bode e a cabra são animais ruminantes, ambos considerados limpos, e usados nos sacrifícios pelos pecados de ignorância (não intencionais) do príncipe (bode – Lv 4: 22-23) ou de uma pessoa comum (cabra – Lv 4: 27-28). A palavra original traduzida por ignorância significa: ‘vaguear’, como uma ovelha que se desgarra do rebanho. Refere-se ao pecado oriundo da fraqueza do caráter humano, não de uma rebelião mal-disfarçada ou de um mal premeditado.
O filhote é chamado de cabrito. Os 2 sexos têm barba e chifre com o lado interno afiado. São animais domesticáveis e muito apreciados pelos nômades no Oriente Médio, que se beneficiam de sua carne, leite e lã (As raças angorá e caxemira têm lã sedosa e macia), usada na produção de roupas; as raças de pêlo mais áspero são mais usadas para tapetes, cortinas e tendas. As cabras e bodes também podem ter pêlo comprido ou curto, dependendo do seu habitat e do controle dos criadores. O couro é usado na fabricação de luvas, calçados e outros produtos afins. Comparado ao carneiro, o bode tem uma constituição física mais leve (pesa entre 45 e 55 quilos) e seu pêlo é um pouco mais liso. Tanto para cabras como para bodes, a região mais favorável para encontrá-los é a região montanhosa, embora isso seja ainda mais aplicável aos bodes selvagens.
As cabras da Síria são geralmente pretas. São animais capazes de subir terrenos íngremes e rochedos sem escorregar, além do que seus pulmões são desenvolvidos para grandes altitudes. Seu pêlo grosso os protege do frio; a altitude os protege dos predadores e, pela sua resistência natural, são capazes de se adaptar às condições extremas (frio e calor). O bode e a cabra se alimentam de grama e arbustos, muitas vezes de uma grama áspera e rala, onde vacas e carneiros não conseguiriam pastar. As cabras são excelentes exploradoras e conseguem encontrar sua própria comida. O maior problema com estes animais é que eles esgotam o pasto, se o pastor não tiver muita experiência em lidar com eles. Geralmente, vivem em pequenos rebanhos de no máximo vinte animais. Um rebanho de cabras, embora pequeno, tem por condutor um bode e é metaforicamente empregado por ‘guia’ ou ‘líder’ em Jr 50: 8 e Zc 10: 3.
Trazendo tudo isso para o nosso raciocínio sobre a tenda, podemos dizer que esta segunda coberta não está relacionada mais às qualidades espirituais em nós, e sim às qualidades colocadas por Deus dentro do nosso caráter, da nossa personalidade, da nossa alma, fazendo-nos diferentes uns dos outros, como cabras são diferentes de cabras, bodes de bodes, e bodes são diferentes de carneiros, mas que de um modo geral cooperam com o espírito, ou seja, as qualidades presentes na alma, no caráter de cada um de nós, que não são visíveis externamente pelas pessoas (como a coberta de pêlos de cabras também não era visível do exterior), porém, nos dão resistência às condições adversas da natureza e da existência humana na terra, e proteção àquilo que é mais precioso, que é a nossa salvação, a nossa fé em Deus e nossa intimidade e comunhão com Ele. Em outras palavras, é aquilo que nos individualiza e cobre o nosso verdadeiro ‘eu’ (nosso espírito) para não perder a santidade e a pureza, ou seja, os pensamentos e valores que temos em nossa alma que nos protegem das influências danosas e confusas de tudo o que vêm de fora para sujar o nosso templo. Não se trata da fraqueza da carne (‘madeira’), como falamos anteriormente, mas de algo que é fortalecido pelo próprio Deus em nós como uma verdade para a nossa vida, e que mantém a nossa meta em foco, nos mantém posicionados e fortes para não sermos ‘levados junto com o vento’. Por isso essa segunda coberta da tenda era composta de onze cortinas de pêlos de cabras, presas ao chão com colchetes de bronze (Êx 26: 7-11).
Uma das qualidades em questão é a capacidade de ser uma pessoa ‘domesticável’ nas mãos do Senhor. Outras características tiradas do exemplo das cabras: ter perseverança e determinação para alcançar nosso propósito de vida; saber viver em ‘lugares altos’, longe da carnalidade mundana; saber ‘respirar as coisas do Espírito’ (pulmões desenvolvidos para grandes altitudes), ou seja, reconhecer que só existe vida nas inspirações e nas palavras que fluem do trono de Deus para nós; saber selecionar o alimento que é bom para nós e não sermos ávidos pelas coisas materiais como os ímpios, que na sua voracidade ‘esgotam o pasto’, pois não têm um Bom Pastor para guiá-los.
Sendo a cabra um animal para sacrifício, para nós é também um sacrifício entregar as nossas deformidades de caráter, nossas opiniões e valores interiores nas mãos de Deus para serem moldadas, mesmo sabendo que isso é necessário para o nosso crescimento. Assim como essa coberta não era vista do interior do Tabernáculo, e dissemos que ela está na alma (metaforicamente falando), todos esses nossos conteúdos estão muitas vezes inconscientes para nós. Por isso, a sua entrega a Deus é um sacrifico, é o ‘crucificar’ da nossa carne. Em outras palavras, isso diz respeito ao nosso sacrifício.
Resumo desta coberta – qualidades positivas da carne (alma) e o sacrifício da entrega a Deus dos nossos valores interiores.
O cobre
Vamos falar sobre os metais agora, especificamente o cobre:
A ordem na qual os principais metais entraram em uso foi: o ouro (Gn 2: 11), a prata, o cobre (também chamado de bronze ou latão que, na verdade, é um amálgama de cobre e zinco – só mais tarde entrou em uso, por volta de 1.000 AC) e o ferro.
O cobre era usado para revestir as colunas do pátio, suas bases e o altar para holocausto. A pia (ou lavatório) e os colchetes eram de cobre maciço.
Este metal nos fala do juízo e do julgamento de Deus sobre o pecado, e falarei mais pormenorizadamente sobre isso quando escrever sobre o pátio externo. Exceto nesta segunda coberta, o cobre foi um metal usado no pátio externo do santuário, onde eram feitos os sacrifícios por quem havia pecado e precisava do perdão de Deus.
A bíblia muitas vezes traduz indiferentemente a palavra ‘cobre’ em Hebraico (nehosheth – Ed 8: 27; ARA: bronze) por bronze (nehushah) ou latão (nehushah ou nchushah). Em Dt 8: 9 está escrito: ‘cobre’ (nehosheth – Strong #5178). Em Jó 41: 27, também está escrito ‘cobre’ (ARA), e em hebraico, nchuwshah ou nchushah (latão ou bronze – Strong#5154). Em Ez 1: 4 a bíblia talvez descreva o verdadeiro ‘latão’ (um amálgama amarelado de cobre e zinco) ou ‘bronze’ (um amálgama marrom-amarelado de cobre, com até 1/3 de estanho). A palavra usada pelo profeta é hashmal – ‘metal brilhante’ na nossa tradução (na tradução em Inglês: ‘âmbar brilhante’ (NRSV), ‘cor de âmbar’ (KJV). Âmbar é a resina seca de árvore e endurecida pelo tempo, onde se encontram insetos e vegetais preservados sem alterações.
Nas imagens abaixo nós podemos ver os metais em sua forma bruta: ouro, prata, cobre e ferro; bronze e âmbar.



A 3ª coberta da tenda
A terceira coberta colocada sobre o Tabernáculo era uma coberta de peles de carneiros tintas de vermelho (Êx 25: 5; Êx 26: 14; Êx 35: 7; Êx 35: 23; Êx 36: 19; Êx 39: 34). Quanto às medidas das cobertas de peles de carneiro curtidas, a bíblia não nos fornece estes dados. Há certa dificuldade de interpretar corretamente este versículo, pois várias traduções bíblicas o descrevem de uma maneira diferente. Por exemplo, em Inglês, dependendo da versão (Êx 26: 14), o termo é diferente da expressão Portuguesa (‘peles de carneiros tintas de vermelho’):
NRSV – tanned rams’ skins (peles de carneiros curtidas), por isso pareciam tintas de vermelho, porque estavam queimadas pelo sol. É a única versão que usa o verbo ‘curtir’, ao invés de ‘tingir’.
NIV – ram skins dyed red (peles de carneiros tintas de vermelho)
KJV – rams’ skins dyed red (peles de carneiros tintas de vermelho)
ASV – rams’ skins dyed red (peles de carneiros tintas de vermelho)
Pesquisando um pouco sobre os dois processos* (curtimento e tintura), podemos ver que o curtimento era usado para secar peles de animais, preparando-as para o uso. O couro era raramente empregado para fazer tendas (Êx 25: 5), mas muito usado para fabricação de sandálias, cintos, artigos militares como capacetes, aljavas, peças de dos carros de guerra, fundas e escudos (inclusive ungindo-os com óleo). * Douglas, J.D., O novo dicionário da bíblia, 2ª ed. 1995, Ed. Vida Nova.
O curtimento era uma tarefa malcheirosa, por isso era efetuada fora das cidades, onde houvesse abundância de água. Para o judeu, era algo cerimonialmente impuro, por isso Pedro teve que vencer seus escrúpulos e preconceitos quando ficou na casa de Simão, o curtidor, fora de Jope (At 9: 43; At 10: 6; At 10: 32). No ato de curtir as peles, primeiro se removia os pêlos com uma aplicação de cal e alguns sulfatos, e depois se usava o sumo ácido de algumas árvores como a tília ou a Periploca secamine (parece estar extinta) para terminar a remoção dos pêlos e da gordura. O couro seco ao sol por dois ou três dias era tratado com sua imersão no sumo da Acacia nilotica ou numa solução preparada com a casca ou folhas de pinheiro ou carvalho para tornar o couro flexível. Algumas vezes eram tingidas, e para bolsas finas as peles eram tingidas com sal mineral, geralmente o alume*, importado do Mar Morto ou do Egito.
*Alume = um composto adstringente incolor que é um duplo sulfato hidratado de alumínio e potássio, usado na solução medicinal e em tintura.
A tinturaria era uma arte conhecida pelos israelitas desde a sua estadia no Egito, quando panos usados para o tabernáculo foram tingidos de escarlata (carmesim) por sucos de insetos esmagados, tipo cochonilha, encontrados nos carvalhos (Êx 26: 1; Êx 26: 31; Êx 36: 8; Lv 14: 4). Este inseto, a cochonilha, é também conhecido como qermes, uma proeminência vermelha e redonda que a fêmea do pulgão forma sobre as folhas duma espécie de carvalho, e da qual se extrai um corante escarlate. O corante tírio (relativo à cidade de Tiro, na Fenícia) ou ‘imperial’, de cor púrpura-negra ou violeta-vermelha, preparado dos moluscos Púrpura e Murex, encontrados nas costas do leste do Mediterrâneo, era principalmente um monopólio fenício, e era usado para tingir vestes caras, que denotavam a posição social ou nobreza do seu proprietário (Jz 8: 26; Pv 31: 22; Lc 16: 19; Ap 18: 12; Ap 18: 16). Cada molusco produz uma quantidade tão pequena de pigmento que, de acordo com um estudo, era preciso uns dez mil moluscos para se produzir pigmento suficiente para tingir um manto ou capa num tom escuro que pudesse ser chamado de púrpura real. Essa foi a mesma púrpura empregada na construção do Tabernáculo (Êx 26: 31; Êx 28: 5), do véu do templo, sendo que o ‘azul, púrpura e carmesim’ eram variantes do mesmo corante (2 Cr 3: 14), bem como a capa posta sobre Jesus durante Seu julgamento (Jo 19: 2; Jo 19: 5). Os hebreus empregavam o termo livremente para referir-se a toda cor de tom avermelhado. Os corantes amarelos eram feitos de película de romã da terra, sendo que os fenícios também usavam o açafrão. O azul era obtido do anil (Indigofera tinctoria), importado da Síria ou do Egito, e que, por sua vez, o importava da Índia. Raramente era usado o pigmento do molusco Chilazon.
Por isso, podemos dizer com alto grau de certeza que essa coberta do Tabernáculo não era de lã tingida e sim de pele de carneiro curtida, pois precisava ser impermeável, e mais tarde veremos por que; mesmo porque a bíblia fala ‘peles’ (‘couro’, na bíblia em Inglês, ‘leather’) e não ‘pêlos’.
Vamos falar um pouco sobre o animal, o carneiro. Ele é o macho da ovelha. Elas simbolizam a inocência, a docilidade, a fertilidade; a ovelha é um animal responsivo à afeição, usado nos sacrifícios, e são impotentes sem um pastor. O carneiro é um pouco mais agressivo que a ovelha e tem chifres longos e recurvos, que os sacerdotes usavam como trombetas (Js 6: 4) ou como receptáculo de azeite (1 Sm 16: 1). Os carneiros eram usados mais freqüentemente para os sacrifícios, mais do que as ovelhas. Por exemplo: Lv 5: 15 – oferta pela culpa como sacrifício pelo sacrilégio; Lv 5: 18 – oferta pela culpa como sacrifício pelos pecados de ignorância; Lv 6: 6 – oferta pela culpa como sacrifício pelos pecados voluntários, como trapacear o próximo, roubo, extorsão, falso juramento etc.
Portanto, assim como todo o animal sacrificado no altar, o carneiro era o substituto do homem. O sangue do animal (qualquer deles) sempre foi o substituto do sangue do homem que cometia algum pecado. E podemos ver algo de interessante aqui com o carneiro: ele era o animal mais usado para a expiação pelo pecado de sacrilégio (ou seja, contra as coisas santas) e expiação obrigatória para pecados por ignorância que exigissem restituição, purificando as máculas desses pecados. O carneiro é mencionado também na bíblia em Lv 16: 3; 5 (no dia da expiação – no 10º dia do 7º mês – Lv 16: 29), junto com o novilho e os dois bodes, sacrificados pelo pecado do sacerdote e da congregação respectivamente. O carneiro era oferecido como holocausto. O holocausto, mais do que expiação por um pecado por ignorância, era um ato voluntário de adoração, uma manifestação de devoção, de compromisso e de completa submissão a Deus (Fp 2: 5-8). Além disso, o carneiro também está mencionado em Nm 7: 1, no dia que Moisés acabou de levantar o Tabernáculo, e o ungiu, e o consagrou e todos os seus utensílios, bem como o altar e todos os seus pertences. O carneiro foi escolhido como o animal para o holocausto e para o sacrifício pacífico. Em Ez 43: 24-26, o carneiro foi o animal escolhido para o holocausto na consagração do altar.
Vamos repetir que essa coberta do Tabernáculo não era de lã tingida e sim de pele de carneiro curtida, algo duro, rijo, resistente, pois precisava ser impermeável; impermeável à chuva, aos ventos do deserto, às pedras ou qualquer coisa que fosse atirada por maldade contra o Tabernáculo (sacrilégio). Metaforicamente falando, ela é uma proteção à santidade de Deus em nós, uma proteção aos nossos bens interiores, como uma casa ou qualquer moradia é um refúgio que protege os bens, a mobília e até a vida de quem mora dentro dela. Ela significa a cobertura que nos protege das coisas mundanas e de tudo aquilo que nos acusa e exige de nós uma restituição (lembre-se de Levítico). A cor vermelha lembra a cor do sangue, do sangue de Jesus nos justificando do pecado e de todo tipo de acusação e cobrança de homens e demônios. Seguindo o nosso raciocínio: apesar de nos entregarmos a Deus e fazermos o sacrifico de abrir mão da nossa vontade carnal para que a Dele prevaleça e nos submetendo ao Seu julgamento (‘cortinas de pêlos de cabras, presas com colchetes de bronze’), apesar da força interior que Ele colocou dentro de nós como a Sua verdade a ser seguida, podemos dizer que esta 3ª coberta da tenda representa a proteção do sangue de Jesus, que supera todo esforço e todo sacrifício, e de uma vez por todas nos justificou de todo pecado e cancelou o escrito de dívida que havia contra nós (diabo nos reivindicava) – Cl 2: 14-15.
Assim como o carneiro era oferecido como holocausto, ato voluntário de adoração a Deus, uma manifestação de devoção, de compromisso e de completa submissão a Deus, Jesus fez tudo isso por nós e pede de nós a devoção a Ele e ao nosso sacerdócio, à nossa missão. Esse compromisso com o Senhor nos faz ‘impermeáveis’ às intempéries e às agressões, não só no plano espiritual ou emocional como dissemos nas duas coberturas anteriores, mas também nos garante a proteção no plano material, contra tudo o que tenta nos ferir com violência e roubar o que conquistamos com tanto esforço; a proteção contra toda acusação e todo dardo lançado por inveja de pessoas contra nós.
O fato desta coberta não ter uma medida significa que o sacrifício de Jesus e Sua proteção sobre a nossa vida não têm medida. Seu amor por nós é imensurável.
A 4ª coberta da tenda
A quarta e última coberta colocada sobre o Tabernáculo era uma coberta de peles finas (Êx 25: 5; Êx 26: 14; Êx 35: 7; Êx 36: 19; Êx 39: 34). A bíblia fala também: ‘animais marinhos’ (Êx 35: 23). Na NVI está escrito ‘couro’ (e a nota de rodapé diz: ‘provavelmente de animais marinhos’; em Inglês, ‘peles de vacas marinhas’, a saber, dugongos). Dugongo é um mamífero sirênio com a cauda parecida com baleia e o focinho com o de uma vaca (por isso, conhecido como vaca marinha, ou peixe-boi), ocorrendo em águas rasas tropicais da África Oriental para a Austrália, da família ‘Dugongidae’, mais comumente presente no Oceano Índico na Antiguidade, e atualmente mais encontrado na Grande Barreira de Coral ao largo da costa da Austrália e na região da Indonésia. Os dugongos têm pêlos em seus corpos (em algum momento de suas vidas), e dão à luz à prole ao vivo, ou seja, como são animais de sangue quente eles não põem ovos como os peixes. Sirênios passam suas vidas inteiras na água. Provavelmente, o mamífero mais popular dos Sirênios é o peixe-boi. O nome dugongo vem da palavra malaia ‘duyong’ ou ‘duyung’ (Etimologia do séc. XIX), que significa ‘sereia’. Os dugongos podem atingir três metros de comprimento e quinhentos quilogramas de peso e, ao contrário do peixe-boi, possuem dentes afiados e por isso podem caçar animais pequenos como lagostas e outros crustáceos. A palavra ‘Sirenia’ veio da palavra ‘sirene’. ‘Sirenes’ são lendárias beldades marítimas gregas que seduziam marinheiros no mar. Pensa-se que as aparições de sereias nos tempos antigos eram, na verdade, Sirênios (os animais) ao invés das entidades míticas, metade mulheres, metade peixes.
A expressão ‘peles finas’ ou ‘animais marinhos’ na KJV traduzida como ‘peles de texugos’, em hebraico é tahash – תחשׂ (plural: tahashim – תחשים) ou tachash (plural: thchshim), e pronunciada como takh’-ash segundo a Concordância Lexicon Strong, provavelmente é originada do egípcio thhs, ‘couro’, e do árabe tuhasum, ‘delfim’. Como vimos acima, a ‘pele fina’ foi mencionada como coberta superior no Tabernáculo (Êx 25: 5; Êx 26: 14; Êx 35: 7; Êx 36: 19; Êx 39: 34; Êx 35: 23), e era também um material empregado na fabricação de sandálias (Ez 16: 10). A Septuaginta diz hyakinthos, provavelmente com o sentido de ‘peles da cor do jacinto’, cor esta difícil de precisar visto que os autores clássicos diferem a respeito da mesma. A maioria das espécies é de cor azul, embora possa ser encontrada nas cores branca, amarela, rosa e azul. Os eruditos modernos concordam que tahash significa ‘delfim’. As peles-tahash eram preciosas nos tempos do AT (Ez 16: 10 – ‘couro da melhor qualidade’), e mencionadas juntamente com pano bordado, linho fino e seda. Foram incluídas entre os presentes dados para a construção do Tabernáculo (Êx 25: 5), junto com as peles curtidas de carneiro para cobrir a tenda do Tabernáculo e a arca (Nm 4: 6).

A Versão Concordante do Antigo Testamento (CVOT), o hebraico transliterado, escreve a tradução de ‘Thchshim (tachash – peles finas’) como ‘ones-azure’ (os de azul), onde ‘azure’ significa: azul-celeste, cor do céu azul ou céu azul na cor, ou então, céu azul. É interessante que, quando olhamos a figura do animal (o dugongo) sua cor é realmente azul.
Esta era a única coberta que podia ser vista de fora da tenda, e também era impermeável.
A cor azul confirmaria a proteção de Deus sobre a nossa vida para que os que estão fora possam vê-la. Nosso templo interior seria, na verdade, um reflexo do céu. Esta 4ª coberta simboliza a cobertura e a bênção de Deus Pai sobre nós ao olhar para o nosso templo interior e nos ver cobertos pelo sangue do Seu Filho (3ª coberta), a disposição da nossa alma de se render à Sua vontade e multiplicar Sua força e determinação colocadas por Ele mesmo dentro de nós, ainda que sejamos seres impotentes por natureza (2ª coberta), e a presença do Seu Espírito em nós nos fazendo desenvolver Seus dons e a nossa santificação, e seguindo o exemplo de Jesus (1ª coberta). O mesmo comentário feito para a 3ª coberta é aplicado aqui, quanto à medida da coberta exterior de peles finas. Isso significa que a proteção, a misericórdia, o perdão e o amor de Deus sobre nós não têm medidas.
Vamos ler o Sl 103: 1- 22: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga ao seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nem um só de teus benefícios. Ele é quem perdoa todas as tuas iniqüidades; quem sara todas as tuas enfermidades; quem da cova redime a tua vida e te coroa de graça e misericórdia; quem farta de bens a tua velhice, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia. O Senhor faz justiça e julga a todos os oprimidos. Manifestou os seus caminhos a Moisés e os seus feitos aos filhos de Israel. O Senhor é misericordioso e compassivo; longânimo e assaz benigno. Não repreende perpetuamente, nem conserva para sempre a sua ira. Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniqüidades. Pois quanto o céu se alteia acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem. Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões. Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece dos que o temem. Pois ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó. Quanto ao homem, os seus dias são como a relva; como a flor do campo, assim ele floresce; pois, soprando nela o vento, desaparece; e não conhecerá, daí em diante, o seu lugar. Mas a misericórdia do Senhor é de eternidade a eternidade sobre os que o temem, e a sua justiça, sobre os filhos dos filhos, para com os que guardam a sua aliança e para com os que se lembram dos seus preceitos e os cumprem. Nos céus, estabeleceu o Senhor o seu trono, e o seu reino domina sobre tudo. Bendizei ao Senhor, todos os seus anjos, valorosos em poder, que executais as suas ordens e lhes obedeceis à palavra. Bendizei ao Senhor, todos os seus exércitos, vós, ministros seus, que fazeis a sua vontade. Bendizei ao Senhor, vós, todas as suas obras, em todos os lugares do seu domínio. Bendize, ó minha alma ao Senhor”.
E em Lm 3: 22-23 está escrito: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se a cada manhã. Grande é a tua fidelidade”.

O Tabernáculo e suas cobertas
O átrio do tabernáculo – Êx 27: 9-19; Êx 38: 9-20.
Novamente, considerando o côvado como tendo cinqüenta centímetros de comprimento para facilitar o entendimento, nós vamos descrever agora o átrio exterior do Tabernáculo ou pátio ao redor do Tabernáculo.
O pátio ao redor tinha cinqüenta côvados de largura (aproximadamente vinte e cinco metros) e cem côvados de comprimento (cinqüenta metros) – Êx 27: 9-19; Êx 38: 9-20. Ao redor, as cortinas eram de linho fino retorcido (Êx 27: 9) com dois metros e meio de altura e suportadas por quarenta colunas de bronze, com bases de bronze, ganchos e vergas de prata, distribuídas em vinte colunas do lado sul e vinte colunas do lado norte. No lado oeste, as cortinas tinham cinqüenta côvados de comprimento (vinte e cinco metros) e dez colunas com bases de bronze, ganchos e vergas de prata. O lado oriental tinha cinqüenta côvados de comprimento, separados em duas partes, com cortinas de quinze côvados de comprimento (sete metros e meio) para um lado, com três colunas e três bases. O outro lado era de igual medida. Na entrada do pátio havia uma cortina de estofo azul e púrpura e carmesim, e de linho fino retorcido, com quatro colunas e quatro bases de bronze e ganchos de prata (Êx 27: 18; Êx 38: 18-20), e cujas medidas eram: vinte côvados de comprimento (dez metros) e cinco côvados de altura (dois metros e meio de altura). Em Êx 38: 19-20, podemos também ler em relação a isso: “As suas quatro colunas e as suas quatro bases eram de bronze, os seus ganchos eram de prata, e o revestimento das suas cabeças e as suas vergas, de prata. Todos os pregos do tabernáculo e do átrio ao redor eram de bronze”. A bíblia também diz (Êx 27: 17) que todas as colunas ao redor do átrio eram ligadas por vergas de prata; seus ganchos eram de prata, e as suas bases, de bronze. Todos os utensílios do tabernáculo para o serviço dos sacerdotes (Êx 27: 19) eram de bronze.
Como dissemos anteriormente, o linho é símbolo da justiça, a justiça de Deus com a qual Ele deseja que Seus filhos também estejam vestidos.
Voltando ao cobre (bronze) sobre o qual nos referimos na segunda coberta do Tabernáculo, este metal nos fala do juízo e do julgamento de Deus sobre o pecado, o que implica em arrependimento por parte do pecador e justiça por parte de Deus.

Ouro = algo extremamente precioso, algo separado para Deus, a glória de Deus.
Prata = obediência a Deus levando à santificação; redenção.
Cobre = juízo e julgamento de Deus sobre o pecado.
Na maioria das vezes (exceto na segunda coberta do Tabernáculo), o cobre (bronze) foi um metal usado no pátio externo do santuário, onde eram feitos os sacrifícios por quem havia pecado e precisava do perdão de Deus. Até os sacerdotes ofereciam sacrifícios por si mesmos e se purificavam para depois entrar no Lugar Santo e queimar incenso. Para nós, hoje, isso diz respeito em especial àqueles que ainda estão no mundo, em pecado (para fora das cortinas de linho), e não conhecem o Senhor, e precisam se arrepender, receber o Seu perdão através do sangue de Jesus (passar pelo altar do holocausto e pela bacia de bronze), para depois ter acesso ao coração de Deus e deixá-lo fazer dos seus corpos um santuário vivo para Ele (ser um tabernáculo onde o Espírito Santo habita).
Quando Deus enviou Jesus a Terra, o homem já havia pecado demais e esgotado ‘o cálice da ira de Deus’:
Is 51: 17: “Desperta, desperta, levanta-te, ó Jerusalém, que da mão do Senhor bebeste o cálice da sua ira, o cálice de atordoamento, e o esgotaste”.
A ira de Deus é o Seu antagonismo firme, constante, contínuo e descomprometido para com o pecado em todas as suas formas e manifestações:
Rm 1: 18: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça”.
A ira de Deus precisava ser propiciada.
Deus precisava fazer Sua justiça; e a justiça de Deus é o Seu modo justo de justificar os injustos através do sangue, no caso, o sangue do Seu Filho.
A morte de Jesus na cruz pagando o preço dos nossos pecados nos libertou do diabo, cancelou a nossa dívida e nos reconciliou com Deus. Em outras palavras, fez a justiça, nos justificou e nos fez justos aos olhos de Deus Pai.
Em Êx 30: 22-33 a bíblia fala sobre o óleo da santa unção, que só podia ser usado pelos sacerdotes, tanto para ungi-los para o seu ofício quanto para ungir o Tabernáculo e os objetos sagrados. Nenhum outro homem que não fosse sacerdote podia ser ungido com ele. Ele era composto de quinhentos siclos (1 siclo = 11,5 gramas) de mirra fluida (aproximadamente seis quilos), duzentos e cinqüenta siclos de cinamomo (aproximadamente três quilos), duzentos e cinqüenta siclos de cálamo (aproximadamente três quilos), quinhentos siclos de cássia (aproximadamente seis quilos) e um him de óleo de azeite de oliva (1 him = aproximadamente quatro litros).
O azeite de oliva significa unção e provisão de Deus para um propósito.

A mirra significa: libertação, cura, purificação, mudança de vida, assim como também era usada pela realeza para ungir as vestes de casamento. Também era usado como perfume sedutor. Foi usada para preparar Ester por seis meses, após os quais vieram mais seis meses com outros ungüentos e perfumarias para levá-la ao rei Assuero (Et 2: 12-13). A mirra é um arbusto que cresce nas regiões desérticas, especialmente na África (nativa da Somália e partes orientais da Etiópia) e no Oriente Médio. É também o nome dado à resina oleosa de coloração marrom-avermelhada obtida da seiva seca dessa árvore (Commiphora myrrha ou Balsamodendron myrrha). A palavra origina-se do hebraico, maror ou murr, que significa “amargo”, por isso é amarga e, muitas vezes, usada na bíblia como sinônimo de fel. Tem poder de anestesiar e tirar as dores, por isso foi oferecida a Jesus na cruz. Em Pv 31: 6-7 está escrito: “Dai bebida forte aos que perecem e vinho aos amargurados de espírito; para que bebam, e se esqueçam da sua pobreza, e de suas fadigas não se lembrem mais”. A bebida forte a que se refere era o vinho de alto teor alcoólico (em hebraico, shekhãr) misturado com a mirra dado pelas mulheres judias aos condenados à cruz para que pudessem suportar a punição e o sofrimento. No Sl 69: 21 (salmo profético de Davi) há outra referência à mirra: “Por alimento me deram fel e na minha sede me deram a beber vinagre”.
O cinamomo é a casca de um tronco que se restaura a cada estação. É a mesma família do louro, da cássia e da canela. Significa: temor de Deus, resgate, restauração das coisas pessoais, não voltar a cometer os mesmos erros do passado. A canela é semelhante a um arbusto, oriunda do extremo Oriente. Como ela é macerada (a casca e a sementes) até se tornar pó, é uma figura profética da aceitação de Jesus Cristo em Sua morte e cruz. Representa nossa aproximação de Jesus em humildade, despindo-nos da nossa carne, tornando-nos mais como Ele é, assim como também pode significar paz e amor no lar.
O cálamo (gr. Kalamos) significa: cana, caniço, junco. É uma raiz conhecida como Cana Doce. Só exala perfume quando a raiz é quebrada. Era de cálamo (junco) a cesta de Moisés, quando foi colocado, ainda bebê, no rio Nilo. Representa o preço que Jesus pagou pela nossa redenção, reverência ao Senhor, voltar às raízes, renovação de alianças, humildade. Significa que devemos ser dependentes do Senhor como crianças que necessitam crescer e ser ensinadas; que, de tempos em tempos, precisamos renovar nossa aliança de fidelidade e compromisso com Ele. A unção do cálamo também significa que precisamos ser “partidos” por Deus, trabalhados por Ele no nosso interior para que Sua essência possa ser exalada através de nós.
Cássia significa: potencial, nobreza. A essência de cássia, que também faz parte do óleo da santa unção dos sacerdotes, é preparada com a casca de uma árvore chamada Cinnamomum cassia, da mesma família da canela. Cinnamomum cassia é uma das espécies do gênero Cinnamomum, da família das Lauraceae, uma pequena planta, semelhante a um arbusto e que atinge até dez ou quinze metros de altura; tem folhas perenes de coloração avermelhada quando jovens, com formato oblongo a lanceolado (formato semelhante a uma lança), um tanto pontiagudo na extremidade e com mais ou menos dez a quinze centímetros de comprimento. A casca é acinzentada externamente, e de cor castanha no interior. Seu odor é semelhante ao da canela que costumamos usar na culinária. As flores são brancas e pequenas. Os frutos são pequenos, carnudos, com cerca de um centímetro de comprimento, de coloração arroxeada quando maduros. No Brasil, há dois nomes distintos para o gênero Cinnamomum, ou seja, a canela e a cássia. Mas nos EUA e em certos países, os dois nomes (cássia e canela) são usados sem distinção, ou em alguns países da Europa, ela pode receber múltiplos nomes, confundindo-a com a canela. Cinnamomum cássia é conhecida pelos nomes de canela-aromática, canela chinesa, cássia chinesa ou, simplesmente, cássia. A espécie Cinnamomum cassia é originária do sudeste da China e da Indochina, mas na atualidade é amplamente cultivada no sudeste da Ásia (Índia, Indonésia, Laos, Malásia, Taiwan, Tailândia e Vietnã). No hebraico antigo (língua dos mercadores semitas), era chamada de qetsiiah (qesī `āh ou qtsiy`ah – קציעה). No grego antigo ela se chamava kasia (κασία). Os mercadores semitas introduziram o produto no Médio Oriente, trazendo-o da China. A cássia para mercadoria é a casca da árvore (Ez 27: 19 fala dessa especiaria como parte do comércio de Tiro, onde está escrito em Hebraico a palavra ‘qiddah’ – Strong #6916, significando, a casca de cássia, como em rolos secos ou enrugados). A especiaria é obtida a partir da remoção da casca da árvore, sendo que a casca interna é raspada, seca e moída. Os botões também são usados como especiaria.
Da casca (que é chamada de Cassia lignea) era extraída a essência do óleo da santa unção, mencionado em Êx 30: 24 (qiddah – Strong #6916). A Cassia lignea também é conhecida por outros nomes como Cinnamomum cassiae cortex, Cassiae cortex. No Sl 45: 8, a palavra ‘cássia’, em hebraico, está escrita como qtsiy`ah – Strong #6916: Cassia (como descascados), em referência à Cassia lignea, o córtex da Cinnamomum cássia. A palavra ‘cássia’ aparece três vezes no AT (Êx 30: 24; Sl 45: 8; Ez 27: 19), ao contrário da palavra ‘acácia’ (Shittah – Strong #7848), que aparece 28 vezes, na grande maioria delas, relacionada ao Tabernáculo: Êx 25: 5; 10; 13; 23; 28; Êx 26: 15; 26; 32; 37; Êx 27: 1; 6; Êx 30: 1; 5; Êx 35: 7; 24; Êx 36: 20; 31; 36; Êx 37: 1; 4; 10; 15; 25; 28; Êx 38: 1; 6; Dt 10: 3; Is 41: 19.

Cinnamomum cassia – planta

Casca de cassia – Cassia lignea
Assim, juntando o significado dessas quatro essências e do azeite de oliva, nós podemos dizer que o Senhor nos ungiu para um propósito especial, além de colocar em nosso ser outros dons e capacitações como: nobreza, amor, aliança e humildade, o temor a Ele, o Seu resgate, libertação, purificação e cura para que possamos ser bálsamo e suavizar as dores dos aflitos e desesperançados e elevá-los para um novo patamar. Além disso, Ele sempre nos dá uma chance de mudar de vida e não voltar a cometer os mesmos erros do passado. É interessante notar que este tipo de óleo só podia ser usado pelos sacerdotes e não por pessoas comuns da congregação. Isso nos faz pensar que aqueles que o Senhor chamava mais fortemente para realizar Sua obra como líderes espirituais daquele povo precisavam de uma unção muito maior, bem como de uma entrega e de uma separação maior, pois era o seu exemplo que manteria ‘o rebanho’ em aliança com Ele.
Em Êx 30: 34-38, a bíblia descreve o incenso sagrado:
“Disse mais o Senhor a Moisés: Toma substâncias odoríferas, estoraque, ônica e gálbano; estes arômatas com incenso puro, cada um de igual peso; e disto farás incenso, perfume segundo a arte de perfumista, temperado com sal puro e santo. Uma parte dele reduzirás a pó e o porás diante do Testemunho na tenda da congregação, onde me avistarei contigo; será para vós outros santíssimo. Porém o incenso que fareis, segundo a composição deste, não o fareis para vós mesmos; santo será para o Senhor. Quem fizer tal como este para o cheirar será eliminado do seu povo”.
Ele era composto de essências aromáticas: estoraque, ônica, gálbano e incenso puro em partes iguais, e temperado com sal, puro e santo. Ele era queimado no altar do incenso ou altar de ouro que ficava diante da arca da Aliança, do lado de cá do véu, no Lugar Santo. Este incenso era considerado santo para o Senhor e seu único propósito era ser queimado para Ele, não para os sacerdotes nem para o povo poder sentir seu odor (ser usado como perfume).
• Êx 30: 1; 6-9: “Farás também um altar para queimares nele o incenso; de madeira de acácia o farás... Porás o altar defronte do véu que está diante da arca do Testemunho, diante do propiciatório que está sobre o Testemunho, onde me avistarei contigo. Arão queimará sobre ele o incenso aromático; cada manhã, quando preparar as lâmpadas, o queimará. Quando, ao crepúsculo da tarde, acender as lâmpadas, o queimará; será incenso contínuo perante o Senhor, pelas vossas gerações. Não oferecereis sobre ele incenso estranho [não santo, com outro tipo de especiarias, é o que quer dizer; ou com outro tipo de motivação], nem holocausto, nem ofertas de manjares; tampouco derramareis libações sobre ele”.
Estoraque – no hebraico, nãtãph (נטף – podendo ser traduzido como breu), e no grego, staktē. A goma aromática tinha um odor bastante apreciado e era extraído através da incisão nos ramos e nas hastes do arbusto Styrax officinalis (uma das cento e trinta espécies do gênero Styrax), distribuído em toda a Palestina. Styrax officinalis é um arbusto de folha decídua atingindo uma altura máxima de sete metros. Tem uma forma simples, com folhas elípticas muito finas de cinco a dez centímetros de comprimento e três e meio a cinco e meio centímetros de largura, alternadas e espaçadas em talos avermelhados e finos, com uma casca escura e dura. Um botão, pequeno e de cor verde muito clara, é, geralmente, uma haste auxiliar em cada folha. A inflorescência (= ramo florífero) é curta e pouco florida. As flores nascem bem perto do caule, têm a forma de sino e são brancas e perfumadas, com cerca de dois centímetros de comprimento, geralmente com cinco ou sete pétalas e muitas anteras amarelas (antera = a parte de um estame que contém o pólen; estame = órgão masculino da flor, formado pelo filete que sustenta a antera). Período de floração se estende entre a primavera e o verão (maio-junho). Esta planta é a fonte do Styrax, uma erva medicinal conhecida desde os tempos antigos. Alguns acreditam que ela tenha sido a fonte de extração do estoraque usado na confecção do incenso sagrado.

Styrax officinalis em Israel

Styrax officinalis – frutos e flor

Estoraque – grãos
Buscando a revelação do Senhor, Ele me falou sobre este simbolismo no Salmo 32: 1; 6 (“Bem-aventurado aquele cuja iniqüidade é perdoada, cujo pecado é coberto... Sendo assim, todo homem piedoso te fará súplicas em tempo de poder encontrar-te. Com efeito, quando transbordarem muitas águas, não o atingirão”). Assim, o estoraque simboliza a piedade, a reverência ao Senhor e a humildade de reconhecer nosso próprio erro para alcançarmos o Seu perdão.
Ônica – em hebraico é: sheheleth (שחלת) ou shecheleth ou shachlt, que significa ‘rugindo como um leão’, ‘descascando por concussão de som’. Sheheleth pode estar relacionada com a palavra siríaca ‘shehelta’ que pode ser traduzida como ‘uma lágrima, destilação, ou exsudação’. Em aramaico, a raiz shchl significa ‘recuperar’, ‘restaurar’ (um objeto físico). A Septuaginta usou a palavra grega ‘onycha’, que significa ‘unha’ ou ‘garra’. A Versão Concordante do Antigo Testamento (CVOT) traduz como black-murex-shell (a concha de murex negro). Alguns pesquisadores acham que se trata das válvulas em forma de garra que fecham as aberturas das conchas de certos moluscos. Outros estudiosos relacionam a palavra ‘onycha’ com a pedra preciosa ônix, devido à sua cor negra e translúcida, ou ainda com uma goma-resina da espécie Styrax (onicha benjoim). Há ainda alguns pesquisadores que tentam relacionar a ônica à planta ‘bdélio’ e dizem que o bdélio é referido no início da história da Bíblia. Bdélio, como ônix, é o nome tanto de uma goma odorífera como de uma pedra preciosa: “E o ouro dessa terra é bom; também se encontram lá o bdélio e a pedra de ônix” (Gn 2: 12). A resistência por parte dos judeus em relação ao fato de poder se tratar de um molusco é que eles afirmam ser o molusco um animal imundo, como está escrito na Torá. Mas a cor púrpura não era extraída de um molusco? E quanto a outro molusco, o chilazon, que segundo fontes históricas provia a cor azul para se colocar no talit ou nas vestes dos sacerdotes? Resumindo tudo isso: o que realmente foi ‘ônica’ na Antiguidade não se pode afirmar com certeza. Baseada na tradução da Septuaginta, no significado de shecheleth, dado em primeiro lugar, e na Versão Concordante do Antigo Testamento (CVOT), eu acho mais provável que fosse um produto extraído da cobertura, das escamas, da concha deste molusco (murex negro), da mesma família do molusco do qual era extraída a tintura para a cor púrpura, quando descrevemos a terceira coberta do Tabernáculo (peles de carneiros tintas de vermelho). Afinal, o que buscamos neste texto não é discussão teológica do que havia há 3.000 anos, e sim o significado disso para nós hoje, que vivemos debaixo da dispensação do Espírito de Deus.

A concha de murex
Buscando a revelação do Senhor, Ele me falou sobre este simbolismo em 1 Sm 14: 36-52 (principalmente nos versículos 41-43), quando Jônatas, filho de Saul, é impedido pelo povo de ser morto pelo próprio rei por ter desobedecido ao seu voto (1 Sm 14: 24; 27; 28) feito ao Senhor para lhe dar vitória sobre os filisteus. Como Jônatas não tinha ouvido a ordem dada pelo pai ao povo de quem comesse alguma coisa naquele dia fosse morto, mesmo estando exausto da luta, ele comeu um favo de mel. Mas quando Saul perguntou a Deus se ele deveria perseguir os filisteus e o Senhor não lhe deu resposta, o rei chamou o povo e o questionou se alguém havia pecado, e se colocou em frente deles com seu filho Jônatas. Então, pediu a Deus que lhe mostrasse a verdade, ou seja, quem ali havia pecado, e Deus lhe revelou que era seu filho que havia violado o voto (1 Sm 14: 41-43). Assim, a ônica simboliza a verdade, ou seja, não se esconder dentro de uma concha quando for necessário se apresentar diante do Senhor ou ser Seu instrumento em qualquer situação.
Gálbano – hebraico: helbenâ. Na verdade, a etimologia é incerta. Segundo alguns pesquisadores, o gálbano é uma especiaria perfumada, como uma goma, originada de duas plantas com muitas raízes, e sempre verdes (mantêm suas folhas verdes durante todo o ano): Ferula galbaniflua (Sinônimo de Ferula gummosa) e Ferula rubricaulis, nativas da Pérsia, mas também encontrada na Índia. Parece haver nove espécies da férula encontradas na Palestina. A férula é uma árvore perene com fortes raízes. Ao se cortar o caule da planta, um líquido leitoso começa a escorrer. Este líquido seca de maneira rápida e endurece, formando uma resina com cheiro fétido, que se torna bastante penetrante, principalmente quando é incinerada (pois contém enxofre). Ela é de um tom castanho-claro, amarelado ou amarelo-esverdeado, e tem um sabor peculiar, amargo e desagradável. Atualmente é usado de forma medicinal, e na preparação de vernizes. Por outro lado, a Concordância Lexicon Strong dá uma etimologia diferente: galbanam, que diz respeito a uma goma odorífera, de aspecto ou cheiro gorduroso (talvez como o da gordura de animais dos sacrifícios). A Versão Concordante do Antigo Testamento (CVOT) escreve chlbne, e traduz como gordura (חלבהנ.)

Ferula galbaniflua e sua resina
É um pouco estranho pensar que Deus fosse escolher uma resina de cheiro fétido para ser queimada junto com as especiarias aromáticas do incenso sagrado. A segunda ou terceira hipóteses (Strong e CVOT) são mais prováveis, pois se igualam mais à orientação dada a Moisés para se queimar separadamente a gordura dos animais (Lv 3: 3-4; Lv 3: 14-16: ofertas pacíficas; Lv 4: 8-9: oferta pelos pecados de ignorância dos sacerdotes, onde apenas a gordura do novilho era queimada no altar do holocausto e o resto do animal era queimado fora do arraial; Lv 7: 4-5: oferta pela culpa; Lv 9: 10: oferta pelo pecado de Arão). O cheiro da gordura do animal se tornava perfumado às narinas de Deus. Assim, baseados na própria ordem de Deus para separar a gordura do animal para ser queimada a Ele de maneira separada em determinados sacrifícios, podemos dizer que o gálbano nos fala de separação, de dedicação ao Senhor.

Resina de gálbano e grãos de olíbano
Quanto ao incenso puro mencionado acima, trata-se do olíbano, também conhecido como franquincenso, é uma resina aromática muito usada na perfumaria e fabricação de incensos. É obtido de árvores africanas e asiáticas (Arábia e Índia) do gênero Boswellia. Embora tenha sido re-introduzido na Europa pelos Francos, seu nome ‘franquincenso’ é derivado do francês antigo ‘franc encens’ que significa ‘incenso de alta qualidade’. Por outro lado, olíbano é derivado do árabe al-lubán (‘o leite’), em referência à seiva leitosa que escorre após a incisão da casca da árvore de olíbano. Em hebraico, a palavra usada é bownah ou u·lbne [לבונה = franquincenso ou olíbano, segundo a Versão Concordante do Antigo Testamento – CVOT] ou lbonah (Concordância Lexicon Strong), que, por sua vez, é derivada de laban ou laben, como Labão (em Gn 49: 12), que significa: branco (לבנה). Assim, ficou conhecido como olíbano pela sua brancura ou pela sua fumaça branca, que procede da combustão da resina. A seiva da árvore seca e dá origem à resina. Embora a resina seja amarela e tenha gosto amargo e picante, é bastante perfumada. Em Êx 30: 7-8, o Senhor ordenava a Arão que queimasse o incenso de manhã e à tarde, assim como no dia da expiação (Lv 16: 12-13).
Buscando a revelação do Senhor, Ele me falou sobre este simbolismo em Ne 9: 7-8, ao descrever a fidelidade de Abrão por acreditar em Suas promessas e que isso lhe foi imputado para justiça (Gn 15: 6). Por isso, o Senhor, que é justo, também cumpriu a promessa dada a ele, lhe entregando nas mãos a terra dos cananeus. Quando falamos sobre o linho fino e a sua cor branca, não dissemos que o branco simboliza justiça e santidade? Pois então, o olíbano ou franquincenso ou, simplesmente, incenso, conhecido pela sua resina branca ou pela sua fumaça branca, que procede da combustão dela, simboliza a justiça de Deus entrando em ação e cumprindo Sua promessa na vida daqueles que Lhe são fiéis e justos como Abraão.
A bíblia também diz que o incenso assim preparado era temperado com sal. O sal [melah or melach (ממלח)] simboliza aliança (Lv 2: 13; Nm 18: 19), fidelidade da promessa, natureza não perecível do pacto, o amor imutável de Deus, sinal de purificação e santidade. Isso vem a confirmar o que o Senhor disse para Moisés: que o incenso seria puro e santo, e isso seria mais um sinal da Sua parte de que Ele estava disposto a fazer um pacto de fidelidade com o povo de Israel, uma nova aliança com Seu povo. Algumas tribos do deserto esfregavam sal na pele da criança recém-nascida para que esta suportasse melhor o calor. Por isso, também significa proteção, fortalecimento, resistência às condições adversas.
Como falamos acima, o incenso estava relacionado ao sacerdócio (2 Cr 29: 11) e provocava a ira de Deus quando era oferecido a outros deuses (Is 65: 3; Jr 44: 8), ou quando era oferecido de outra maneira que não a que foi ordenada aos sacerdotes. Por isso, dois filhos de Arão foram mortos pelo Senhor, pois “trouxeram fogo estranho perante a face do Senhor” (Lv 10: 1-7). No Sl 141: 2, a oração de Davi era comparada ao incenso que subia à presença de Deus, e em Ap 5: 8; 8: 3-4 está escrito que o incenso simboliza a oração dos santos.
Hoje, o incenso que Ele quer é a oração dos Seus filhos.
Trazendo isso para a nossa vida como Cristãos, o incenso é mais um componente do nosso tabernáculo interior, ou seja, a nossa oração a Deus todos os dias exaltando Seu nome, agradecendo por Sua ajuda e fazendo chegar a Ele as nossas súplicas Lhe é agradável, como o perfume das especiarias usadas no passado.
A bíblia também nos fala da composição exata das essências aromáticas, e que não poderiam ser feitas para nenhum outro propósito que não fosse para ser oferecido ao Senhor pelos sacerdotes, e quem o fizesse simplesmente com a intenção de desfrutar o seu aroma, seria eliminado do meio do povo. Isso significa que nós, como reis e sacerdotes que alcançamos a misericórdia de Deus (1 Pe 2: 9-10) devemos entender que nas nossas orações alguns ‘ingredientes’ são necessários:
• a piedade, a reverência ao Senhor e a humildade de reconhecer nosso próprio erro para alcançarmos o perdão de Deus – estoraque.
• sermos verdadeiros no nosso modo de agir e buscarmos sempre conhecer a Sua verdade, não nos escondendo atrás de mentiras ou fantasias. Isso não só diz respeito à nossa oração, mas também ao nosso posicionamento como profetas, liberando uma palavra de verdade procedente da boca de Deus para correção, consolo ou ensino do Seu povo – ônica.
• dedicação ao Senhor e a nossa separação das coisas da carne e do mundo para podermos andar como verdadeiros filhos de Deus na terra, puros e santos, da mesma forma que a gordura era separada da carne e do couro do animal sacrificado. Ao entrarmos em oração, a palavra de Deus deve sair como espada da nossa boca, separando alma e espírito, juntas e medulas, como diz a bíblia (Hb 4: 12), ou seja, é ela que age no mundo espiritual desfazendo o que está oculto e trazendo à luz a revelação de Deus – gálbano.
• sermos fiéis ao Senhor e crer nas Suas promessas, a fim de que a Sua justiça entre em ação materializando-as na nossa vida – olíbano.
• ter a consciência do que Ele fez conosco quando nos chamou para sermos Dele, ou seja: aliança, fidelidade da promessa, pacto imperecível, o amor imutável de Deus, sinal de purificação e santidade – sal.
Quem fizesse esse incenso simplesmente com a intenção de desfrutar o seu aroma, seria eliminado do meio do povo. Em outras palavras, quem não quiser se comportar da maneira santa de Deus, quem não o leva a sério e zomba ou não dá o devido valor a Ele e às Suas coisas não tem direito de desfrutar de Suas bênçãos ou da intimidade com Seu Espírito.
Por fim, podemos entender o que Paulo escreveu na epístola aos Coríntios: que nós somos o bom perfume de Cristo para os que crêem:
• 2 Co 2: 14-17: “Graças, porém, a Deus, que em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento. Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem. Para com estes, cheiro de morte para a morte; para com aqueles, aroma de vida para vida. Quem, porém, é suficiente para estas coisas? Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus”.
Depois de termos descrito a medida do pátio exterior e seus os utensílios com seu significado, voltemos mais uma vez para o santuário propriamente dito, a tenda da congregação, a fim de descrever a mobília e os utensílios presentes no seu interior.
Havia colunas internas (que sustentavam a cortina entre o ‘Santo dos Santos’ e o ‘Lugar Santo’), e as colunas externas, na porta da tenda. Elas eram de número diferente: quatro colunas interiores e cinco colunas na porta. O texto se encontra em Ex 26: 31-32; 36-37. Ele diz: “Farás também um véu de estofo azul, e púrpura, e carmesim, e linho fino retorcido; com querubins, o farás de obra de artista. Suspendê-lo-ás sobre quatro colunas de madeira de acácia, cobertas de ouro; os seus colchetes serão de ouro, sobre quatro bases de prata... Farás também para a porta da tenda um reposteiro de estofo azul, e púrpura, e carmesim, e linho fino retorcido, obra de bordador. Para este reposteiro farás cinco colunas de madeira de acácia e as cobrirás de ouro; os seus colchetes serão de ouro, e para elas fundirás cinco bases de bronze”.
Assim, podemos entender que havia uma separação dentro da tenda, isto é, dois recintos. Um deles ficava atrás da cortina interior sustentada pelas quatro colunas de madeira de acácia cobertas de ouro e sobre bases de prata. O outro recinto ficava entre esta cortina e a entrada da tenda, onde também havia uma cortina do mesmo material, mas sustentada por cinco colunas de madeira de acácia cobertas de ouro e sobre bases de bronze. O primeiro recinto se chamava Santo dos Santos e era ali que a arca da Aliança fora colocada. O segundo recinto se chamava Lugar Santo, e ali estavam: o altar de ouro, ou altar do incenso, a mesa com os pães da proposição (para o norte) e o candelabro de ouro (para o sul). O altar do incenso, embora colocado defronte da arca para fora do véu, no Lugar Santo, era considerada uma peça do Santo dos Santos (Hb 9: 1-10). A primeira cortina simbolizava a separação entre o santo e o profano, entre Deus e os homens. Foi o véu que se rasgou quando Jesus morreu na cruz, simbolizando que Sua morte estava rompendo a separação entre Deus e nós. A partir daquele momento, Ele, como sumo sacerdote, estava fazendo o sacrifício definitivo para nos dar livre acesso ao coração do Pai.
Cristo e o templo
A transição da criação para a nova criação e do templo como casa para o templo como lar está centrado na pessoa e obra do Senhor Jesus Cristo. No prólogo do evangelho de João, lemos que o Filho se tornou carne e “habitou” entre nós, manifestando a sua glória (Jo 1.14, tradução do autor). Através da encarnação, o Eterno Filho se torna um templo, sua humanidade é a morada de Deus. Como templo, Jesus também é o caminho para Deus. Seu auto sacrifício na cruz da agonia expia nossos pecados, cumprindo o ritual sacrificial do antigo Israel. Muito apropriadamente, a crucificação de Cristo resultou em Deus rasgando o véu do templo (Mc 15.38), através do véu da carne de Jesus, o “novo e vivo caminho” para Deus foi aberto (Hb 10. 19-22).
Através de sua ressurreição e ascensão, Jesus levou a humanidade ao paraíso celestial, primeiro, através de sua própria natureza humana, e depois pela nossa união com ele, por meio do Espírito. Jesus é, de fato, a pedra que os construtores rejeitaram, mas a quem Deus vindicou como a principal pedra angular de seu templo vivo (1Pe 2. 4–10; Sl.118. 22). Pelo Espírito derramado, o povo de Deus, como pedras preciosas escolhidas, é levado à união com Cristo para formar a casa e o lar de Deus. Maravilhosamente, a igreja, o povo de Deus reunido para o culto comunitário, tornou-se o templo de Deus em quem habita o Espírito de Deus (1Co 3.16). Inevitavelmente, então, o tema do templo nas Escrituras chega à doutrina da união com Cristo.
Finalmente, o templo representa o propósito eterno e profundo de Deus em habitar em comunhão com o seu povo na criação. A morte de Jesus Cristo demonstra a “profundidade” divina de tal propósito e a união com Cristo a “altura” desse propósito, o amor que excede todo entendimento (Ef 3.17-19). Através da lente da criação e da aliança, o tabernáculo cheio de glória direciona os olhos da fé para a visão de João onde a igreja que desce do céu, é descrita como uma cidade-templo, a nova Jerusalém (Ap 21). A mesma glória alerta os ouvidos da fé para que ouçam a clara voz celestial dizendo: “Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles” (Ap 21. 3). Dentro da casa de uma nova criação, o Senhor Deus Todo-Poderoso e o Cordeiro serão o templo da igreja, e a igreja, o povo de Deus de todas as épocas e nações, será o templo de Deus. Então conheceremos a plenitude da vida com Deus na casa de Deus.
A igreja como o templo e tabernáculo de Deus
Você já esteve em um evento onde era o convidado de honra? Pode ter sido um chá de panela, um chá de bebê ou uma formatura. Todos os olhares estavam sobre você, e as pessoas o tratavam de uma forma que fazia você se sentir privilegiado. Ao longo da primeira Epístola de Pedro, vemos cristãos descritos como peregrinos que são amaldiçoados por este mundo, porém, no capítulo dois, Pedro muda a linha de pensamento e diz que Deus nos tem particularmente honrado.
Pedro diz em 1 Pedro 2 “chegando-vos para ele”, referindo-se ao “Senhor” (v. 3) do Antigo Testamento, que Pedro diz ser Cristo. Ele continua definindo o que significa vir a Cristo: “Então a honra é para vocês que creem” (v. 7, tradução do autor). O que é maravilhoso aqui é que, em 1.7, ele fala de nossa fé ao passarmos por provações nesta vida, mas aqui ele diz que quando cremos, Deus nos honra. Mas como é isso? Vamos observar três honras em 1Pedro 2.
Podemos resumir tudo o que lemos em poucas palavras: nós somos hoje o tabernáculo de Deus, e com o Seu Espírito de vida dentro do nosso ser, nos ajudando a atravessar os desertos e a conquistar as promessas do Senhor para nós. Através da superação das nossas provas e desafios e do exercício da palavra de Jesus, nós nos santificamos até a nossa morada definitiva na Nova Jerusalém. Não precisamos mais de lugares especiais nem de sacrifícios para falar com Ele, e sim de um coração arrependido e contrito que se alegra com a simplicidade do evangelho que Jesus nos deixou como herança.
Agora, olhe bem a imagem, medite e repita para você mesmo (a): — EU SOU O TABERNÁCULO DE DEUS NA TERRA.