terça-feira, 8 de maio de 2012

O ciclo vicioso de pecados no livro de Juízes






Por: Jânio Santos de Oliveira



Presbítero e professor de teologia da Igreja Assembléia de Deus Taquara -



 Duque de Caxias- Rio de Janeiro


 
Cada um de nós temos vidas diferentes, opiniões diferentes, idéias diferentes de como agir e pensar, enfim todos nós possuímos caráter diferente, é o que nos torna únicos e nos caracterizam por nossa simpatia ou antipatia para com outros. Mas há algo que todos nós possuímos dentro de nós, o que nos torna iguais independente de credo, raça ou classe social, algo terrível que se aproveita do vício para potencializar sua eficácia: o pecado (Rm 3:23).

Tenha isto em mente, o pecado não "escolhe a dedo" a quem atingir, seja você um ateu, um membro de uma igreja ou até mesmo um pastor (1 Co 10:12), ele vem pra consumir a todos que encontrar pela frente, como um vulcão em erupção, e destruir! Destruir sua vida emocional, família, trabalho e principalmente te levar a morte espiritual (Rm 6:23).

Um ciclo vicioso é algo que você prática constantemente com disposição consciente ou inconsciente (Gl 5:17). Todos os dias com a graça divina, Deus nos permite acordar, lavar o rosto, escovar os dentes, tomar um café da manhã abençoado, trabalhar ou estudar, entre tantas coisas do dia a dia que praticamos de forma consciente do que estamos fazendo, até que dormimos e no dia seguinte o mesmo ciclo se repete (Sm 3:5).

Nossa vida por si própria é um ciclo vicioso, porém nossas ações determinam a direção que este ciclo toma, se será bom ou ruim para nossa vida espiritual. Porém existe um tipo de ciclo maldito, que praticamos de modo inconsciente pelo qual espíritos malignos trabalham vinte e quatro horas do dia para enfraquecer ainda mais os fracos na fé e destruir vidas após vidas: o ciclo vicioso do pecado (Ef 6:12).

O ciclo vicioso do pecado tem sido uma ferramenta poderosa nas mãos do diabo, e vidas após vidas tem sido perdidas por meio de drogas, jogos, alcoolismo, prostituição, etc. Um dependente químico consumido pelo efeito das substâncias tóxicas das drogas, se torna tão dependente que chega ao ponto de praticar vários crimes para alimentar seu vício;

ele perde todas suas capacidades mentais enquanto está sobre o controle da droga e se torna uma pessoa totalmente diferente, transtornada, a única coisa que interessa pra ele é praticar o seu vício sem se importar com as conseqüências que são fatais (Jo 8:44).

Um jogador consumido pelo desejo de apostar, "investe" seu dinheiro em sua aposta e deixa que a sorte o carregue; um dia vence e ganha milhões, no outro dia investe os milhões que ganhou numa nova aposta e perde tudo, não tendo dinheiro pra apostar, aposta a escritura de sua casa na tentativa ilusória de recuperar o que foi perdido e deixando novamente sua vida ser decidida pela sorte, então perde novamente e mais do que isto, sua esposa o deixa, ele fica sozinho no mundo abandonado, mais um mendigo "invisível" pelas ruas de nossa sociedade calculista e gananciosa. Da mesma forma acontece com um alcoólatra (Jo 10:10).

O Livro dos Juizes1 foi assim chamado pelo grande relevo que nele têm os chefes a quem se deu tal nome (chofetîm). Depois da sua chegada a Canaã e do seu estabelecimento no território, como está descritas em Josué, as doze tribos ficaram um pouco à mercê dos povos que ainda ocupavam a terra.

Cananeus e filisteus continuavam a sua luta para expulsar as tribos israelitas que se tinham infiltrado em algumas parcelas do seu território; e a conquista total da terra e o conseqüente predomínio dos israelitas sobre os povos locais ficarão para mais tarde, no tempo de David (séc. X a.C.). Os Juízes não são chefes constituídos oficialmente, mas homens e mulheres carismáticos, atentos ao Espírito do Senhor, pessoas marcadas por uma forte personalidade, capazes de se imporem moralmente perante as outras tribos.

Deste modo, quando alguma tribo era atacada, o Juiz congregava as outras para irem em socorro da tribo irmã. Uma outra função que lhes poderia ser atribuída era a de julgar (da raiz shaphat, que significa "administrar a justiça", "proteger"), em casos especiais, função que terá estado na origem do nome de "Juízes".O tempo dos Juízes é, pois, o tempo da consolidação das tribos no seu território, perante os inimigos estrangeiros, e o tempo das primeiras tentativas de federação entre as várias tribos com diferentes origens (ver Js 24).

Depois da morte de Josué, por volta de 1200 a.C. (Js 24), as tribos ficaram sem um chefe que aglutinasse todas as forças para se defenderem dos inimigos estrangeiros. A única autoridade constituída era a dos anciãos de cada tribo. Além disso, estas pequenas tribos eram muito independentes entre si, e não era fácil congregá-las. Ficavam, assim, mais expostas aos ataques de filisteus, cananeus, madianitas, amonitas, moabitas, todos inimigos históricos de Israel. Foram líderes carismáticos suscitados por Deus para salvar os filhos de Israel da opressão de outros povos.

Foram comandantes ocasionais que tinham poderes militares e civis. O livro narra à façanha de doze juízes (Jz 3, 7 16,31), onde as tribos israelitas não possuíam uma unidade, ainda não era uma nação. Tinham em comum o mesmo Deus, a mesma lei e o mesmo passado. Neste período ocorreram muitas guerras entre os israelitas e as populações vizinhas (cananeus e filisteus).

Acontecia de nessas guerras Israel abandonar seu verdadeiro Deus e seguir ídolos dos outros povos. Para isso, o Deuteronômio determinava maldições para perder o auxílio divino e a posse da terra. Somente quando o povo se convertesse e voltasse a ser fiel a Deus, Deus enviaria salvadores que derrotariam os seus inimigos. Este esquema em forma de circulo vicioso "apostasia; opressão; arrependimento; libertação" é próprio da teologia Deuteronomista no livro juízes e seve para ilustrar toda a história de Israel.

O problema maior é que Josué ao morrer não deixou sucessor e as doze tribos de Israel já estavam estabelecidas na terra prometida, mas não tinham um governo central, mas eram unidas pela religião monoteísta (um só Deus), diferente dos outros povos de Canaã que tinham muitos deuses (Baal, Aserá, Astarte). Israel convivia com esses povos pagãos e muitas vezes caiu na idolatria.

Foi neste contexto de apostasia Deus suscitou os Juízes em Israel
Os Juízes eram heróis, muitas vezes dotados de força física ou carismas especiais para libertarem uma ou mais tribos de Israel dominadas pelos estrangeiros. Os Juízes não tinham sucessores nem dinastia, não promulgavam leis e nem impunham impostos. Eles eram as testemunhas de que Yahweh jamais abandonou o seu povo.

Entre os grandes juízes encontramos Samuel, que foi o único que exerceu os cargos de sacerdote, profeta e juiz, Samuel teve autoridade sobre todo o Israel, embora não tinha sido chefe de exércitos como os outros. Ao todo foram 15 juízes. Seus nomes são: Otoniel, Eúde, Sangar, Débora, Gideão, Tola, Jair, Jefté, Ibsã, Elom, Abdom, Sansão, Abimeleque, Eli, Samuel.

1. Contexto Histórico: o relato bíblico cobre um período caótico na história de Israel: cerca de 1380 a 1050 a.C. Israel praticava continuamente o que era mau aos olhos do Senhor e "não havia rei em Israel, porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos" (21.25). Ao servirem de forma deliberada a deuses estranhos, o povo de Israel quebrava a sua aliança com Yahweh. Em conseqüência, o Senhor os entregava nas mãos dos opressores. Cada vez que o povo clamava ao Senhor, este, com fidelidade, levantava um juiz a fim de prover libertação ao seu povo. O Livro de Juízes não olha apenas retroativamente para a conquista de Canaã, liderada por Josué, registrando as condições em Canaã durante o período dos juízes, mas também antecipa o estabelecimento da monarquia em Israel.

. A Condição Política: Politicamente, não havia organização, nem capital nacional, nem um chefe de estado. Moisés deu-lhes um sistema religioso, mas nenhuma política de governo definida. Eram doze tribos, às vezes unidas com o propósito de se defenderem em conjunto, às vezes brigando quase a ponto de exterminarem uma à outra.

Não obstante, três laços impediram que se separassem formando uma série de pequenas nações, a saber:

•Antepassados e uma história em comum. Abraão era o fundador da raça; partilhavam igualmente da mesma reverência a Isaque e Jacó e nomes como José e Moisés, e Josué, e as glórias do mar Vermelho, do rio Jordão e da Conquista eram uma herança nacional.

•Uma língua em comum, o hebraico. Há sinais de dialetos diferentes, mas nada que os tornasse ininteligíveis aos demais falantes.

•Uma religião em comum. O tabernáculo fora estabelecido em Silo. Ali ficava o único altar. Ali residia o sumo sacerdote da nação. Ali os sacrifícios nacionais eram oferecidos diariamente. Para lá iam os representantes das tribos durante as três grandes festas anuais. Eram essas as forças centrípetas em operação.

Os gregos tinham laços semelhantes; mas as condições geográficas primitivas desenvolveram uns individualismos tão intensos, que eles jamais se aglutinaram a ponto de formar uma nação.

Esses laços uniram os hebreus até encontrarem no profeta Samuel e no rei Davi a fé sublime e a força de espírito para a organização política que os consolidou como nação.O Livro de Juízes cobre o período entre a morte de Josué e a instituição da monarquia. A data real da composição do livro é desconhecida.

No entanto, evidências internas indicam que ele foi escrito durante o período inicial da monarquia que se seguiu à coroação de Saul. Porém antes da conquista de Jerusalém por Davi, cerca de 1050 a 1000 a.C. Esta data tem o apoio de dois fatos:

1) As palavras "naqueles dias, não havia rei em Israel" (17.6) foram escritas num período em que Israel tinha um rei.

2) A declaração de que "os jubuseus habitaram com os filhos de Benjamim em Jerusalém até ao dia de hoje" (1.21) aponta para um período anterior à conquista da cidade por Davi (2Sm 5.6,7). O Livro de Juizes está dividido em três seções principais: 1) Prólogo (1.1-3.6) 2) narrativas (3.7-16.31);

3) epílogo (17.1-21.25). A primeira parte do prólogo (1.1-2.5) estabelece o cenário histórico para as narrativas que seguem. Ali é descritas a conquista incompleta da Terra Prometida (1.1-36) e a reprimenda do Senhor pela infidelidade do povo à sua aliança (2.1-5). A segunda parte do prólogo (2.6-3.6) oferece uma visão geral do corpo principal do Livro, que são as narrativas.

Estas descrevem os caminhos rebeldes de Israel durante os primeiros séculos na Terra Prometida e mostram como o Senhor se relacionou com a nação naquele período, um tempo caracterizado por um ciclo recorrente de apostasia, opressão, arrependimento e libertação.
A parte principal do livro (3.7-16.31) ilustra esse padrão vicioso que se repete na história antiga de Israel.

Os israelitas faziam o que era mau aos olhos do Senhor (apostasia); o Senhor os entregava nas mãos de inimigos (opressão); o povo de Israel clamava ao Senhor (arrependimento); e, em resposta ao seu clamor, o Senhor levantava libertadores a que ele capacitava com o seu Espírito (libertação). Sete indivíduos: Otniel, Eúde, Débora e Baraque, Gideão, Jefté e Sansão, cujo papel de libertadores é narrado com mais detalhes, são classificados como "juízes maiores".Outros seis, que são mencionados rapidamente: Sangar, Tola, Jair, Ibsã, Elom e Abdom, são conhecidos como "juízes menores". Um décimo quarto personagem, Abimeleque, está vinculado à história de Gideão.

Duas histórias são acrescentadas ao Livro de Juízes (17.121.15) na forma de um epílogo. O propósito desses apêndices não és estabelecer um final ao período dos juízes, mas descrever a corrupção religiosa e moral existente nesse período até ao sacerdócio de Eli e o nascimento de Samuel.
A primeira história ilustra a corrupção na religião de Israel. Mica estabeleceu em Efraim uma forma pagã de culto ao Senhor, a qual foi adotada pelos danitas quando estes abandonaram o território que lhes coube por herança e migraram para o norte de Israel.

A segunda história no epílogo ilustra a corrupção moral de Israel ao relatar a infeliz experiência de um levita em Gibeá, no território de Benjamim, e a conseqüente guerra benjamita. Aparentemente, o propósito desta seção final do livro é ilustrar as conseqüências da apostasia e anarquia nos dias em que "não havia rei em Israel".

Quanto ao valor histórico o livro dos Juízes é o mais histórico dos Históricos segundo o modo de escrever História no seu tempo. Nesse gênero literário cabiam não apenas os fatos e os documentos, como acontece na historiografia moderna, mas também o mito, discursos (veja-se o belo apólogo de Jotão: 9,7-20), etiologias, pequenos fatos do dia a dia.

Este livro fornece-nos um quadro geral único do modo de vida das tribos de Israel, depois da instalação em Canaã, no que toca à vida política, social e religiosa. É também interessante o fato de nos falar já do difícil relacionamento entre algumas tribos, que irá ter o seu desenlace na separação entre o Norte e o Sul, depois de Salomão.

O tempo dos Juízes corresponde a mais de dois séculos de História, o que lhe confere um valor especial, embora a contagem dos anos fornecidos pelo texto nos dê exatamente 410 anos.

Este fato é certamente devido ao uso corrente do número simbólico 40, que significa uma geração, isto é, a vida de uma pessoa. Esta indicação diz-nos bem do caráter aproximativo dos dados cronológicos do livro.

Como qualquer livro da Bíblia, também o dos Juízes não foi escrito para nos fornecer simplesmente a História factual das tribos de Israel. Antes de mais, foi escrito para manifestar como Yahweh acompanha o seu povo na sua história concreta, mesmo no meio dos mais graves acontecimentos, como as guerras contra os povos inimigos.

A sua teologia fundamental é proposta pelos redatores Deuteronomista nas Introduções (1,1-3,6), em que aparecem fórmulas características como "os filhos de Israel fizeram o que era mau aos olhos do Senhor" (2,11; 3,7. 12; 4,1; 6,1; 10,6; 13,1).

Desta infidelidade do povo ao Pacto, ao Deus fiel da Aliança, segue-se o castigo, que aparece nas derrotas perante os povos estrangeiros; e depois, a vitória, mediante os intermediários do Senhor, os Juízes "salvadores" (3,31; 6,15; 10,1). A idéia teológica que ressalta deste livro é, pois, a imagem que um povo livre tem de Deus, que o acompanha para o libertar.

Quanto aos pecados dos juízes, estes não nos devem escandalizar, eram homens rudes que precisamos situar no seu tempo e que procediam segundo a moral de então; um caso paradigmático é a história de Sansão. Teremos, antes, é tentar descobrir o que há neles de positivo, ou seja, extraímos lições da ação de Deus, que os animava com o Seu Espírito para conduzir o povo de Deus em obediência a Sua palavra (3,10; 6,34; 11,29; 13,25).

"A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz. Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!" (Mt 6.22-23)

Não podemos deixar que nossa vida tome um rumo diferente da que Deus planejou para nós, o Senhor quer que tenhamos uma vida em abundância, uma vida repleta de paz e amor. Não podemos caminhar em círculos, voltando sempre ao ponto de partida, praticando os mesmos pecados vis há tantos dias, meses ou até anos.

Devemos seguir um caminho contínuo olhando pro alvo que é Cristo (Jo 14:6), se você se encontra em uma ou várias desta situações e não professa a mesma fé em Jesus Cristo que eu professo, eu te faço um convite especial, que pode ser o convite mais precioso que você terá a oportunidade de ter na vida. Você quer seguir este novo e vivo caminho?

Se sua resposta for SIM, ai mesmo onde você está, peça perdão por seus pecados, mesmo que sejam muitos e você os considerem imperdoáveis, Jesus é capaz de perdoar qualquer pecado, afinal ele morreu para que você tivesse esta chance de ser perdoado hoje! Repita esta oração:

"Senhor Jesus, eu sei que errei, reconheço que sou pecador e que necessito da sua graça e perdão. Purifica-me de meus pecados, escreva meu nome no livro da vida e me receba como filho, pois eu estava perdido porém hoje estou aqui. Me conceda o seu Espírito Santo para que em momentos de fraqueza eu venha ser consolado, e me de a sua graça, amém!".

"Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora." 

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